A PlataformaDança lançou um barómetro para mapear o setor em Portugal e vai reunir-se com a tutela da Cultura em 10 de novembro, disse hoje à Lusa o presidente da associação.
© Shutterstock
26/10/2026
por
Lusa
PlataformaDança
A PlataformaDança lançou um barómetro para mapear o setor em Portugal e vai reunir-se pela primeira vez com a tutela da Cultura em 10 de novembro, disse hoje à Lusa o presidente da associação.
A PlataformaDança – Associação Nacional de Dança, criada em 2020 durante a pandemia de covid-19, pretende conhecer a dimensão, atividade, o impacto económico e as necessidades das estruturas do setor, para fundamentar reivindicações e propostas de políticas públicas, segundo o presidente, Pedro Fidalgo Marques.
“O último grande levantamento que fizemos do setor foi justamente nesses anos, e sentimos necessidade de poder fazer aqui um novo mapeamento, passado este tempo”, acrescentou, explicando que a iniciativa surgiu de uma proposta apresentada por um associado na última reunião da entidade, em 30 de setembro.
O questionário, lançado no início de outubro e disponível ‘online’ durante um mês, destina-se a companhias, escolas de dança, estruturas de produção, organizadores de eventos, coletividades, projetos comunitários e outras entidades desta área, associadas ou não da PlataformaDança.
Entre os dados a recolher estão o número de profissionais e praticantes, as condições de contratação, a atividade económica gerada e as dificuldades sentidas pelas estruturas, assim como as suas prioridades, visando identificar as principais necessidades de intervenção pública para o setor.
“Quando falamos de dança não falamos só de profissionais, mas também de escolas de dança, coletividades, projetos comunitários”, sublinhou o presidente da estrutura, que pretende obter, nomeadamente, uma estimativa do número de pessoas que praticam a modalidade em Portugal.
Consoante o tipo de entidade, o questionário pode chegar a 30 perguntas, e inclui questões sobre a natureza jurídica, a localização da sede, o tipo de profissionais contratados e as condições das instalações.
As companhias de dança, por exemplo, são questionadas sobre espetáculos, bilheteira e espectadores, enquanto as escolas respondem sobre aulas e alunos e os produtores sobre eventos e respetiva atividade.
No entender do responsável, esta recolha permitirá ainda avaliar as condições laborais e a precariedade no setor, aspetos que a associação pretende analisar com dados concretos: “A nossa perceção é que a dança, segundo dados empíricos, cresceu bastante nos últimos anos”, afirmou Pedro Fidalgo Marques, ressalvando que essa impressão decorre, até agora, da experiência dos associados.
A PlataformaDança tem cerca de 400 associados, mas considera que existem muitos mais profissionais e estruturas a trabalhar no país, razão pela qual o levantamento está aberto a todo o setor e as respostas serão anonimizadas antes da análise, garantiu à Lusa.
Entre os profissionais que esperam receber informação estão bailarinos, coreógrafos, diretores artísticos, produtores, técnicos e trabalhadores das áreas de administração, gestão e comunicação.
“A área da dança não é assim tão pequena como a querem fazer pensar, e está subestimada”, acrescentou.
A audiência com a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, marcada para 10 de novembro, será a primeira reunião da associação com uma tutela, depois de várias tentativas de contacto com anteriores titulares da pasta, referiu Pedro Fidalgo Marques.
Nesse encontro, a PlataformaDança espera apresentar alguns dados preliminares, nomeadamente sobre o número de profissionais, estruturas e tipos de contrato, embora a análise estatística completa não prevê que esteja concluída na altura.
A associação está também a preparar o primeiro congresso nacional de dança, previsto para o início de 2027, com uma componente profissional e a intenção de integrar a dimensão académica, indicou.
O objetivo, segundo Pedro Fidalgo Marques, é promover o trabalho conjunto do setor, que considera continuar a ter um peso reduzido nas políticas de apoio às artes performativas.
“A dança continua a ser um dos parentes pobres das artes performativas em termos de percentagem de apoio, em termos de atenção, em termos de muita coisa”, lamentou o dirigente.

