Presidente iraniano avisa que a “paz não virá do campo de batalha”

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O Presidente iraniano avisou hoje em Nova Iorque que a paz com os Estados Unidos “não virá do campo de batalha” e que Teerão não permitirá que o estreito de Ormuz seja usado para “impor a insegurança na região”.

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23/09/2026
por

Lusa

O Irão não tolerará que o estreito seja utilizado para agressões e “para impor a insegurança” na região, declarou Masoud Pezeshkian perante a assembleia-geral da ONU.

 

“Fecharam o nosso acesso às nossas próprias águas territoriais”, condenou o líder iraniano, aludindo ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos à República Islâmica, usado como retaliação à interrupção da navegação comercial aplicada por Teerão há mais de seis meses no estreito de Ormuz.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos utilizam “mísseis e tecnologias letais para semear a insegurança em todas as áreas que fazem fronteira com esta via navegável”, acusou o Presidente do Irão durante o seu discurso na sessão anual de líderes em Nova Iorque.

O Irão “nunca foi um agressor, nunca iniciou uma guerra”, declarou Pezeshkian, observando que, pelo contrário, o seu povo está a ser “vítima do terrorismo” e de “ataques cobardes” dos Estados Unidos, um dia após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter ameaçado “aniquilar” a República Islâmica.

“Ontem, Trump afirmou que nós somos terroristas. Não somos terroristas, somos vítimas do terrorismo, e martirizaram o nosso líder sem qualquer motivo”, declarou Pezeshkia, referindo-se ao antigo guia supremo Ali Khamenei, morto num ataque aéreo no primeiro dia da ofensiva israelo-americana, em 28 de fevereiro.

O único representante da delegação norte-americana presente na sessão abandonou a sala, quando o líder iraniano acusou Washington de terrorismo.

“Aqueles que são terroristas e treinam terroristas descrevem-nos como tal”, declarou Pezeshkian, insistindo: “Não somos terroristas”.

Durante o seu discurso, o Presidente do Irão exibiu fotografias de Ali Khamenei e de mais de 150 crianças em idade escolar mortas nos primeiros dias da guerra, que continua sem fim à vista depois do colapso das negociações indiretas realizadas em junho.

Na terça-feira, Trump confirmou a realização de uma reunião à margem da assembleia-geral da ONU entre representantes de Washington e Teerão, mas sem avançar detalhes.

No mesmo dia, Trump afirmou, no seu discurso perante a sessão de líderes na ONU, que tinha de escolher entre “aniquilar” o Irão ou chegar a um acordo, prevendo que uma solução diplomática apenas poderia ser encontrada após as eleições intercalares para o Congresso norte-americano, previstas para o início de novembro.

Em resposta, Masoud Pezeshkia reafirmou hoje que Teerão não se deixará intimidar com as ameaças do líder da Casa branca.

“Nunca baixaremos a cabeça”, afirmou o Presidente iraniano, dirigindo-se mais uma vez a Donald Trump: “Ele precisa de saber que a resistência do povo iraniano só aumentará face às sanções, à pressão e à intimidação”.

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