Ao fim de um quarto de século, a identidade do homem cujos últimos momentos de vida foram fotografados por Richard Drew permanece um mistério por desvendar.
© Richard Drew
11/09/2026
por
Ao contactar os familiares de Hernandez, o jornalista da Esquire apurou que nem todos concordavam com aquela tese, defendendo que o pasteleiro nunca escolheria saltar para a morte, uma vez que a sua religião encarava o suicídio como um pecado. Ao analisar as fotografias descartadas por Drew, Junod notou que o homem envergava também uma camisola interior laranja. Hernandez não tinha uma camisola interior daquela cor, de acordo com a esposa. Eventualmente, as pistas conduziram-no até Jonathan Briley, um engenheiro de som no Windows on the World. A descrição batia certo com a da família, mas havia outro detalhe: como o homem de 43 anos tinha asma, o fumo teria sido insuportável.
Nos dias que se seguiram aos atentados, Gwendolyn Briley-Strand juntou-se à família para afixar panfletos com a fotografia do irmão, que adorava chegar cedo ao trabalho para ver o nascer do sol a partir do 106.º andar. O pai, que era pastor, rezou para que o filho fosse encontrado. Um dia depois, a família foi informada de que os restos mortais de Briley tinham sido identificados, e estavam intactos. O irmão mais novo reconheceu o corpo, tendo a família recuperado uma aliança de casamento, um documento de identificação, um pager e uns ténis pretos. A pergunta veio à tona: seria Briley o “Falling Man”?
A reportagem de Junod, que foi inicialmente publicada em 2003, admitiu essa possibilidade. No entanto, o seu maior argumento era que, ao fim e ao cabo, “a única certeza que temos é a certeza que tínhamos no início”.
“Quinze segundos depois das 9h41 da manhã, a 11 de setembro de 2001, um fotógrafo chamado Richard Drew tirou uma fotografia de um homem a cair pelo céu – a cair tanto no tempo como no espaço. A fotografia deu a volta ao mundo e depois desapareceu, como se a tivéssemos feito desaparecer por vontade própria. Uma das fotografias mais famosas da história da humanidade tornou-se uma sepultura sem nome, e o homem enterrado no seu enquadramento – o ‘Falling Man’ – tornou-se o ‘Soldado Desconhecido’ numa guerra cujo fim ainda não vislumbramos”, escreveu o jornalista.
Volvidos 25 anos, Briley-Strand também admitiu preferir homenagear as vítimas, independentemente da escolha que tenham feito naquele dia.
“Quer fosse o Jonathan ou não, este homem em particular tomou a decisão de colocar a sua vida nas próprias mãos e lançar-se para os braços de Deus”, disse.

