Livre, após a rescisão do contrato que mantinha com o PSG, Renato Sanches diz-se “completamente tranquilo em relação às lesões” e garante que tudo não passou de “uma fase”, pelo que está preparado para regressar ao ativo.
© Getty Images
30/10/2026
por
Renato Sanches concedeu uma extensa entrevista à edição desta sexta-feira do jornal A Bola, na qual quebrou o silêncio a propósito dos planos que tem para dar seguimento à carreira, numa altura em que se encontra livre de contrato, na sequência da rescisão com o Paris Saint-Germain, clube que, em 2022, pagara 15 milhões de euros ao Lille pelo seu passe.
“Passei por momentos difíceis e tive algumas lesões. Toda a gente passa por fases menos boas. No futebol, há jogadores que sofrem lesões e alguns acabam por ter mais problemas físicos do que outros. Infelizmente, tive lesões que gostaria de não ter tido, mas nenhuma delas aconteceu por falta de profissionalismo”, começou por afirmar.
“Foi precisamente o meu profissionalismo que me permitiu jogar em alguns dos melhores clubes da Europa. Todos esses clubes conhecem o trabalho do Renato. Por isso, estou completamente tranquilo em relação às lesões, porque sei que foi uma fase. Há pessoas que passam por momentos mais complicados do que outras, e acredito que essa fase da minha vida já passou”, prosseguiu.
“Em janeiro, pretendo voltar à ação e é isso que vai acontecer. Quero regressar bem, representar um clube da melhor forma possível, com a maior vontade do mundo de fazer aquilo de que mais gosto”, completou o jogador de 29 anos de idade, que, recorde-se, chegou a ser dado como reforço praticamente certo do Estrela da Amadora, no passado verão.
“Rui Vitória sempre me deixou à vontade”
Nesta entrevista, Renato Sanches enalteceu, ainda, o papel que Rui Vitória teve na sua carreira: “Quando o mister Rui Vitória chegou ao Benfica, eu estava na equipa B, e as coisas aconteceram rapidamente. Fiquei muito entusiasmado por ter a oportunidade de treinar com a equipa principal e de defrontá-la nos jogos-treino, e procurava dar o meu melhor”.
“Treinava-me como se estivesse em jogo, e a forma como o treinador me tratava foi muito importante, pois era uma pessoa muito tranquila e deixava-me bastante à vontade e com liberdade para fazer o meu jogo e demonstrar as minhas capacidades nos treinos. Acho que foi precisamente essa forma de lidar comigo que me transmitiu confiança”, apontou.
“Sempre me deixou à vontade, mas essa confiança também resultava daquilo que eu demonstrava nos treinos e do que já tinha mostrado anteriormente. Acho que consegui transmitir-lhe confiança, e, por isso, também estava relativamente tranquilo em relação a mim. Sempre tive relação próxima e honesta com o mister e com a família dele”, acrescentou.
“Muitas vezes, depois dos jogos, cumprimentava a mulher e as filhas. Acima de tudo, à medida que fui crescendo e me fui tornando homem, percebi que, além da relação entre treinador e jogador, existia igualmente uma amizade entre nós. E também teve sempre uma relação muito boa com os jogadores da formação. E isso, muitas vezes, faz a diferença”, rematou.
“Ajudei a abrir uma porta aos jogadores da formação do Benfica”
Para Renato Sanches, foi, precisamente, a chegada de Rui Vitória que “abriu a porta à formação do Benfica”: “Acho que foi fundamental nesse aspeto, na valorização da formação do Benfica e merece o mérito de ter sido um dos poucos treinadores, até àquela altura, a dar oportunidades aos jogadores da formação para mostrarem valor na equipa principal”.
“Foi a partir daí que começou uma nova história na relação entre o Benfica e os jogadores da sua formação. Sinto que, de certa forma, ajudei a abrir uma porta aos jogadores da formação para chegarem à equipa principal. Não digo que tenha sido o único, mas, depois de mim, muitos mais jogadores começaram a ter oportunidades de integrar a equipa principal”, referiu.
«Antigamente, eram sobretudo os jogadores sul-americanos e sérvios que tinham a oportunidade de chegar à equipa principal, pelo menos, na altura em que eu estava no clube. Depois disso, com a minha chegada, com a chegada do Rúben Dias, do Ferro e de outros jogadores da formação do Benfica, muitos jovens voltaram a ter essa ambição, porque perceberam e viram que era possível chegar lá”, concluiu.

