A co-fundadora da empresa The Newsroom, especializada em transparência de fontes de informação, admitiu hoje que o “fact-checking” e o combate à desinformação são trabalhos quase inglórios, porque a disseminação rápida de mentiras torna esse serviço quase inviável.
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30/10/2026
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Lusa
Lusa | 12:38 – 13/10/2026
Questionada sobre se as grandes plataformas de redes sociais deveriam ser mais reguladas, a também membro da Fundação Obama (associada ao ex-presidente democrata dos Estados Unidos) defendeu que sim, mas alertou que isso por si só não seria suficiente.
“Regulamentação absolutamente que sim. Ao mesmo tempo, eu acho que não pode ser a única maneira, porque a regulamentação implica um processo muito longo”, argumentou, em declarações à margem da 10.ª edição das Conferências do Estoril, evento que hoje começou no campus de Carcavelos da Nova SBE (Universidade NOVA de Lisboa).
Segundo a empresária, para combater a desinformação lançada por governos como o do Presidente norte-americano, Donald Trump, seria necessário criar todo um ecossistema de responsabilidade.
“Eu passei quatro anos a tentar resolver isto com a tecnologia, fui parva, porque não é só tecnologia, é tecnologia, é política, sociedade civil, são os jornalistas, é muita gente que tem de se sentar à mesma mesa e perceber como é que cada um pode amplificar o seu trabalho”, salientou.
A empresa da qual é CEO (diretora executiva) é especializada em identificar a proveniência da informação, permitindo ao leitor confirmar de onde provém a informação, como é que foi tratada, se foi parafraseado e como é que foi feita.
“Faz parte de uma iniciativa mais abrangente que se chama C2PA, Content Provenance and Authenticity Initiative [Iniciativa sobre a Proveniência e a Autenticidade dos Conteúdos, em português], que tem como objetivo criar, basicamente, um passaporte para as unidades de informação”, explicou.
Um dos parceiros com quem desenvolveu o projeto foi a estação pública britânica BBC, com quem têm trabalhado há dois anos para identificar textos que possam ter sido manipulados.
“O texto é manipulado constantemente”, disse, explicando que essa manipulação nem sempre é negativa, mas pode advir de cortes ou edições.
“A tecnologia que nós desenvolvemos torna esse processo de fazer correspondência entre o que eu estou a dizer e a minha fonte muito rápido. No momento em que o jornalista certifica que essa é a fonte, se o artigo for editado ou se a fonte for modificada, o passaporte para de funcionar. Portanto, há esse mecanismo de responsabilização com base na fonte também”, pormenorizou.
A especialista acrescentou que esta é uma iniciativa que está a envolver cada vez mais grupos de media e não só.

