Ricardo Esgaio perentório: “Gil Vicente não é um passo atrás”

Ricardo Esgaio perentório:

Ricardo Esgaio rejeitou hoje que a mudança para o Gil Vicente represente “um passo atrás” na carreira futebolística e assumiu querer colocar a experiência adquirida em clubes de maior dimensão ao serviço do crescimento dos minhotos.

© Getty Images


05/10/2026
por

Lusa

O defesa regressou esta temporada a Portugal, depois de representar os turcos do Fatih Karagümrük, numa experiência que terminou com a despromoção da equipa, e escolheu um clube que já acompanhava à distância.

 

“Eu não levo como um passo atrás. Claro que as diferenças para outros clubes onde passei são grandes, mas estou aqui para competir, para jogar e ganhar, tal como em qualquer outra equipa”, afirmou, em entrevista à agência Lusa.

Depois de passagens por Sporting e Sporting de Braga, nas quais conquistou vários troféus, o lateral natural da Nazaré considera que a experiência acumulada pode agora ser útil num contexto diferente.

“Quero ajudar o Gil a crescer. Tenho uma bagagem grande dos sítios por onde passei e, se conseguir passar um ou outro ensinamento, que ajude os meus colegas ou o clube, estou completamente disponível”, salientou.

A escolha de Barcelos não se resumiu à vertente desportiva, assegurando que, ainda na Turquia, já acompanhava um clube, ao qual reconhecia uma identidade própria.

“Acompanhava os jogos do Gil Vicente. Via uma equipa com uma ideia muito positiva e agressiva, que jogava contra os ‘grandes’ da mesma maneira, sem olhar a caras. Quando uma equipa joga sempre da mesma forma, sabemos que tem uma identidade”, explicou.

No emblema minhoto, o experiente lateral, de 33 anos, diz ter encontrado o que precisava para esta fase da sua carreira, com estabilidade profissional e pessoal.

“O Gil é mesmo aquilo que se fala. Uma verdadeira família. Seja dentro ou fora do balneário, há um espírito familiar muito grande entre ‘staff’, jogadores, treinadores e todas as pessoas do clube”, vincou.

A palavra família assume particular significado depois da primeira experiência de Esgaio fora de Portugal, iniciada aos 32 anos, quando trocou o Sporting pelo futebol turco.

“Quando estamos habituados ao nosso país, sair para um país completamente diferente pode chocar um bocadinho. Saí com 32 anos. Será que era a altura certa? Será que devia ter saído mais cedo? Não sei”, refletiu.

O lateral não renega a experiência na Turquia, que, apesar da despromoção, considera uma aprendizagem, mas a distância tornou-se mais pesada quando a mulher, grávida, regressou a Portugal com os outros dois filhos.

Agora, pai de três crianças, admite que as ausências se tornam diferentes à medida que estas crescem e procuram cada vez mais a sua companhia, acreditando que nesta nova fase em Barcelos pode estar mais presente.

“Quando eles começam a crescer sentimos cada vez mais afinidade. Querem brincar connosco, chamam-nos e, quando estamos algum tempo fora, sentimos que falta alguma coisa”, reconheceu.

A vida de futebolista já tinha obrigado Esgaio a faltar a outro momento familiar importante. Quando nasceu a segunda filha, estava ao serviço do Sporting e não conseguiu acompanhar o parto devido a um jogo em Tondela.

“Não consegui estar presente no nascimento da minha segunda filha porque tínhamos um jogo em Tondela. Depois do jogo arranquei diretamente para o hospital, para ir ter com a minha mulher, felizmente correu tudo bem”, recordou.

A importância que atribui à relação entre os filhos encontra também paralelo na ligação ao irmão Tiago Esgaio, igualmente futebolista profissional, no Arouca, e quando se defrontam, garante, a rivalidade termina dentro das quatro linhas.

“Cada um quer ganhar o seu jogo. ‘Picamo-nos’ um bocadinho, mas é mais brincadeira do que propriamente rivalidade”, disse, reconhecendo que os pais “sofrem mais um bocadinho porque não sabem bem por quem torcer”.

Depois de uma temporada passada entre a Turquia e a distância da família, Barcelos trouxe-lhe a proximidade que procurava, dentro e fora do futebol.

“Desde o primeiro dia senti as pessoas próximas. Depois conheci o grupo e o restante ‘staff’ e percebi que isto é realmente uma verdadeira família, foi a melhor opção”, concluiu.

Esgaio conta sete golos marcados, nos 249 jogos disputados na I Liga, competição que conquistou duas vezes, pelo Sporting (2023/24 e 2024/25), num historial que conta ainda com três Taças de Portugal, duas Taças da Liga e uma Supertaça Cândido de Oliveira.

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