Tempos livres? Redes sociais superam leitura por lazer em Portugal

Tempos livres? Redes sociais superam leitura por lazer em Portugal

Um inquérito apresentado hoje pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) revela que menos de dois terços dos participantes dizem ler por lazer como ocupação dos tempos livres, muito atrás do uso das redes sociais.

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15/09/2026
por

Lusa

Em comunicado divulgado hoje pela APEL, dia em que abre a quarta edição do evento Book 2.0 em Lisboa, é indicado que a lista das atividades para ocupação de tempos livres é encabeçada pelo convívio com amigos (91%), seguindo-se as redes sociais (85%), com o cinema e audiovisual por ‘streaming’ em terceiro lugar (75%) e o desporto a seguir (66%). A leitura por lazer é a atividade seguinte, com 62% de respostas dos inquiridos.

 

De acordo com o mesmo texto, entre os que não leem “a falta de interesse é o principal obstáculo (43%), seguida pela falta de tempo (38%) e pela preferência por outras atividades (33%)”.

No comunicado, a APEL realça que “os resultados reforçam a necessidade de Portugal assumir a leitura e a literacia como prioridades nacionais”, lembrando que “o livro é uma ferramenta essencial de cidadania, pensamento crítico, desenvolvimento humano, acesso ao conhecimento e participação democrática”.

De acordo com os resultados do inquérito – feito pela GfK através de entrevistas a 1.000 pessoas com mais de 15 anos -, 78% dos inquiridos dizem ter lido pelo menos um livro em 2025, no que é o valor mais alto dos últimos três anos, mas 62% responderam ter comprado pelo menos um livro no ano passado, abaixo do número de 2023 (65%).

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Segundo o inquérito, também a média de livros por comprador continua a cair, de 7,5 em 2023, para 7 em 2024, e agora 6,9 em 2025, algo que também acontece nos livros para oferta.

“Os resultados sugerem que o crescimento do setor observado a partir da evolução do painel de retalho não se traduziu numa intensificação generalizada do consumo de livros pelas famílias portuguesas”, pode ler-se no comunicado.

Em 2025, a venda de livros em Portugal cresceu 6,9% em relação ao ano anterior, o que se traduziu num total de quase 15 milhões de livros vendidos, um aumento muito impulsionado pelos livros de colorir e infantis, segundo dados divulgados pela APEL em janeiro.

No entanto, no segundo trimestre deste ano, a venda de livros caiu quase 2%, comparativamente ao mesmo período de 2025, registando a primeira quebra desde a pandemia, apesar de ter coincidido com a realização da Feira do Livro de Lisboa.

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Os dados do inquérito hoje divulgado pela associação do setor indicam ainda que perto de um em cada cinco portugueses leem sem compra, “o que aponta para a crescente importância de vias de acesso como o empréstimo, as bibliotecas, a oferta, o digital e outras formas de circulação de livros que exigem que o setor compreenda melhor de que modo a expansão da leitura pode também contribuir para a sustentabilidade da cadeia de valor do livro”.

Ainda assim, a APEL assinala que, entre os que se dizem leitores digitais, mais de dois terços recorre a conteúdos gratuitos, que podem ir desde as plataformas de armazenamento em ‘cloud’ a redes como Whatsapp e Telegram.

“Estes canais podem incluir utilizações legítimas – como empréstimos autorizados, obras em acesso aberto ou partilha pessoal de ficheiros –, mas são também compatíveis com a partilha ilegal e não autorizada de conteúdos. A compreensão deste fenómeno é essencial para proteger autores, editores, livreiros e todos os profissionais que integram a cadeia do livro, bem como para perceber até que ponto a expansão da leitura digital ocorre por via de oferta legal ou da circulação de conteúdos fora dos canais comerciais”, acrescentou a associação.

O encontro Book 2.0 – O Futuro da Leitura começa hoje, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e até quarta-feira vai juntar figuras nacionais e internacionais para debater o papel do livro e da leitura.

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