Um tribunal australiano rejeitou o recurso de Erin Patterson, conhecida como a “assassina dos cogumelos”, mantendo a pena de prisão perpétua sem liberdade condicional. A mulher envenenou três familiares do ex-marido num almoço.
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30/10/2026
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Um tribunal australiano rejeitou o recurso de Erin Patterson, a mulher conhecida como “a assassina dos cogumelos” por ter envenenado três familiares do ex-marido durante uma refeição, em julho de 2023.
A decisão foi anunciada esta sexta-feira por um coletivo de três juízes do Supremo Tribunal do estado de Vitória e determina, assim, que a mulher deverá passar o resto da vida na prisão.
Segundo a agência de notícias Reuters, os magistrados consideraram também que Patterson, condenada a prisão perpétua no ano passado, não deverá ter direito à possibilidade de liberdade condicional.
A mulher, recorde-se, assassinou os ex-sogros, Don e Gail Patterson, e a irmã de Gail, Heather Wilkinson, depois de lhes ter servido um almoço de beef Wellington contaminado com cogumelos da espécie Amanita phalloides, conhecidos como cicuta-verde ou chapéu-da-morte. Patterson foi ainda condenada por tentar assassinar o marido de Heather, Ian Wilkinson, que passou semanas hospitalizado.
Para os juízes, “estes crimes foram cometidos com uma frieza e premeditação extraordinárias e merecem ser condenados nos termos mais veementes”.
“Depois de uma análise ponderada de todas as circunstâncias, concluímos que o caso envolve uma criminalidade tão chocante que não é apropriado estabelecer um período mínimo de prisão antes de uma eventual liberdade condicional”, indicou o juiz Stephen McLeish, falando em nome do coletivo, no tribunal de Melbourne.
O juiz salientou que ainda que os crimes envolveram uma “elaborada sucessão de enganos”, incluindo a falsa alegação de que tinha sido diagnosticada com cancro, usada para justificar a ausência dos seus dois filhos durante o almoço.
Segundo o sobrevivente, a mulher disse aos convidados – todos familiares por casamento – que pretendia obter conselhos sobre o que deveria contar aos filhos a respeito do seu alegado diagnóstico. O ex-marido de Patterson, Simon Patterson, foi convidado, mas não compareceu ao almoço.
Patterson foi condenada a prisão perpétua, com um período mínimo de 33 anos sem possibilidade de liberdade condicional.
A mulher sempre negou qualquer responsabilidade, alegando que as mortes foram acidentais, e os seus advogados argumentaram que determinadas provas não deveriam ter sido admitidas no julgamento, que o interrogatório a que foi submetida durante o processo foi injusto e que o facto de o júri ter ficado alojado no mesmo hotel que outras pessoas envolvidas no caso comprometeu o resultado do julgamento.
No entanto, os juízes consideraram que estes argumentos não eram suficientes para aceitar o recurso. Patterson ainda poderá recorrer para o Supremo Tribunal da Austrália.

