A Turquia transferiu o líder curdo Abdullah Ocalan para uma nova ala de uma prisão numa ilha, onde se encontra detido desde 1999, no âmbito dos esforços para pôr fim a décadas de conflito, anunciou um alto responsável curdo.
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01/11/2026
por
Lusa
A Turquia transferiu o líder curdo Abdullah Ocalan para uma nova ala de uma prisão numa ilha, onde se encontra detido desde 1999, no âmbito dos esforços para pôr fim a décadas de conflito, anunciou um alto responsável curdo.
A melhoria das condições prisionais de Abdullah Ocalan, líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), tem sido uma das principais exigências dos curdos no âmbito dos esforços para pôr fim ao conflito de 42 anos entre o grupo armado e as autoridades turcas.
Ocalan encontra-se detido desde que foi capturado, em 1999, numa prisão situada na ilha de Imrali, no mar de Mármara, que liga o mar Negro ao mar Egeu.
Mithat Sancar, responsável curdo, confirmou no sábado a transferência de Ocalan numa entrevista à estação televisiva Medya Haber TV, sem adiantar pormenores.
Sancar não confirmou que a nova ala da prisão, recentemente construída, disponha de melhores condições de alojamento, embora as suas declarações pareçam apontar nesse sentido.
O deputado do Partido DEM, pró-curdo, apelou também à aceleração do processo de paz, afirmando que este se encontra “em pausa” há dois meses.
A transferência de Ocalan para as novas instalações, afirmou, “torna necessário acelerar o processo de paz”.
Sancar integra um grupo de deputados do Partido DEM que tem visitado regularmente Ocalan desde que o líder curdo apelou ao PKK, em fevereiro de 2025, para se dissolver e entregar as armas.
Ocalan continua a ser uma figura influente entre os curdos e é considerado fundamental para o avanço do processo de paz.
Três meses depois, o PKK anunciou que iria depor as armas e pôr fim às hostilidades. Na sequência desse anúncio, o parlamento turco aprovou, em agosto, legislação que prevê uma amnistia condicional para milhares de combatentes do PKK, posteriormente promulgada pelo Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
O conflito com o PKK, considerado uma organização terrorista pela Turquia, pelos Estados Unidos e pela União Europeia (UE), provocou dezenas de milhares de mortos desde 1984.
Sancar sublinhou que Ocalan, cofundador do PKK na década de 1970, deve assumir um papel de coordenação nas negociações de paz.
“O processo não pode avançar com expectativas e exigências unilaterais”, afirmou, numa referência ao Governo turco, acrescentando que este “tem de abandonar a sua posição insistente e inflexível”.

