A Comissão Europeia vai apresentar em dezembro um plano para diversificar as cadeias de abastecimento da UE e reduzir a dependência de fornecedores únicos, alertando para os efeitos da concorrência chinesa.
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21/10/2026
por
Lusa
A Comissão Europeia vai apresentar em dezembro um plano para diversificar as cadeias de abastecimento da União Europeia (UE) e reduzir a dependência de fornecedores únicos, quando Bruxelas alerta para os efeitos da concorrência chinesa.
“Em dezembro, apresentaremos um pacote a que chamamos Diversificar a UE. Este pacote não privilegiará nenhum país específico e ajudará as empresas europeias a diversificar as suas cadeias de abastecimento”, anunciou a líder do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, falando na sessão plenária do Parlamento Europeu, na cidade francesa Estrasburgo.
“Penso que o princípio que deve orientar todos nós e todas as empresas da União Europeia é muito simples: não deve existir nenhuma dependência crítica de um único fornecedor”, acrescentou.
Na ocasião, a presidente da Comissão Europeia alertou para o desequilíbrio das relações comerciais com a China, indicando que o défice comercial europeu com aquele país atingiu, em 2025, mil milhões de euros por dia.
Defendendo que a UE deve reduzir as suas vulnerabilidades económicas e reforçar a capacidade de resposta a pressões comerciais externas, Ursula von der Leyen anunciou, também, “um novo instrumento que permita agir mais rapidamente e restringir de imediato o acesso ao mercado único quando os nossos interesses estiverem ameaçados”.
“A dissuasão funciona quando os outros sabem que estamos preparados para responder”, apontou.
A iniciativa surge num contexto em que as restrições comerciais e o controlo de matérias-primas críticas são cada vez mais utilizados como instrumentos de influência geopolítica.
Bruxelas pretende, ainda, apresentar um pacote de solidariedade para garantir que nenhum Estado-membro ou setor industrial tenha de enfrentar isoladamente eventuais medidas de retaliação económica.
De acordo com os números citados por Ursula von der Leyen, as empresas chinesas recebem até oito vezes mais subsídios do que empresas comparáveis de outros países.
“As fábricas estão sob pressão. Estamos a assistir à perda de postos de trabalho no coração industrial da Europa”, salientou.
A estratégia é anunciada numa altura de crescente tensão comercial entre Bruxelas e Pequim, com a UE a procurar responder às vantagens competitivas que atribui aos apoios estatais chineses, sem abandonar o diálogo com um dos seus principais parceiros comerciais.
Ursula von der Leyen defendeu uma abordagem assente em três eixos: diálogo quando este produz resultados, recurso a instrumentos de defesa comercial quando necessário e criação de mecanismos para reduzir dependências económicas.
“A Europa tem de estar preparada para agir quando o diálogo não produz resultados”, adiantou.
França e Alemanha defenderam, numa carta enviada a Ursula von der Leyen no início do mês, o reforço dos instrumentos comerciais da UE para responder à concorrência chinesa, nomeadamente aos subsídios estatais e ao excesso de produção, e reduzir dependências estratégicas.
Neste discurso, sobre a cimeira europeia da semana passada, a responsável anunciou ainda “um plano para uma verdadeira União Europeia da Energia”, dada a atual crise energética, que visa “aproveitar muito melhor o potencial” que já existe.
“Falando de energia e das nossas sanções contra a Rússia, impusemos sanções energéticas à Rússia devido à sua guerra de agressão contra a Ucrânia […] e quero ser absolutamente clara: estas sanções manter-se-ão até que a Rússia ponha fim à guerra”, disse ainda.

