A bolsa nova-iorquina encerrou hoje em forte baixa, arrastada pelas desvalorizações dos títulos tecnológicos, com os investidores a anteciparem a diminuição do movimento de criação de centros de dados depois da esmagadora vitória democrata nas intercalares nos EUA.
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05/11/2026
por
Lusa
A bolsa nova-iorquina encerrou hoje em forte baixa, arrastada pelas desvalorizações dos títulos tecnológicos, com os investidores a anteciparem a diminuição do movimento de criação de centros de dados depois da esmagadora vitória democrata nas intercalares nos EUA.
O resultado da sessão indica que o índice tecnológico Nasdaq caiu 5,52%, a sua maior queda em ano e meio (desde abril de 2025) e que o coloca na designada fase de correção, expressão que designa uma perda superior a 10% do nível do seu último recorde, no caso, estabelecido em outubro.
Os outros índices mais emblemáticos da praça bolsista também registaram perdas acentuadas, que anularam os ganhos conseguidos na véspera, com o alargado S&P500 a recuar 4,35% e o seletivo Dow Jones Industrial Average a recuar 3,44%.
“Pensámos que tínhamos saído da crise depois da recuperação do mercado no dia seguinte às eleições, mas de repente houve um verdadeiro ‘banho de sangue’ em Wall Street”, comentou Jose Torres, da Interactive Brokers.
Os investidores estão a considerar os resultados das intercalares como um travão ao desenvolvimento da inteligência artificial (IA), uma vez que vários eleitos democratas opuseram-se durante a campanha à construção de centros de dados nos seus círculos eleitorais, pelos efeitos negativos para as pessoas e os territórios.
E os habitantes de dezenas de cidades dos EUA aprovaram na terça-feira restrições para ou proibições mesmo dos centros de dados, cuja multiplicação implica necessidades massivas de energia.
Os conglomerados tecnológicos especializados nos semicondutores, eu já tinha recuado fortemente na quarta-feira, agravaram hoje as suas perdas, tendência exemplificada por Broadcom (-10,15%), Micron (-17,77%), AMD (-17,39%) e Intel (-10,39%).
A Nvidia, segunda maior capitalização bolsista mundial, recuou 8,91%, correspondente a uma desvalorização de 400 mil milhões de dólares.
As ditas Sete Magníficas – expressão que designa os pesos-pesados da tecnologia: Nvidia, Meta, Alphabet, Microsoft, Amazon, Apple, Tesla – tiveram a capitalização bolsista conjunta hoje reduzida em 800 mil milhões de dólares. Esta verba é superior ao valor do produto interno bruto da Suécia.
“Desde que apare uma dúvida sobre os montantes de investimento nos centros de dados, os investidores reagem de forma particularmente violenta”, descreveu Art Hogan, da B. Riley Wealth Management, em declarações à AFP.
Com efeito, nos últimos anos, a fulgurante progressão bolsista de Wall Street deve-se ao entusiasmo com a IA.
Mas hoje a perda foi generalizada, englobando também os valores tradicionais.
“Os investidores são muito sensíveis a esta fraqueza das cotações e espera que a volatilidade se reduza para regressarem aos valores penalizados para ganharem com esta queda”, anteviu Patrick O’Hare, da Briefing.com, quando questionado pela AFP.
A praça bolsista sofreu também com a recuperação das cotações do petróleo, no dia seguinte a uma forte queda, apontam os analistas.
Passada a euforia das eleições, os investidores regressaram à prudência, dada a falta de avanços concretos no Médio Oriente.
Esta aversão ao risco aproveita à dívida federal, pelos seus títulos serem considerados valores refúgio.
Nestes títulos a 10 anos, o rendimento – que variam ao contrário dos preços – aliviava dos 4,898% da véspera para os 4,84%.
Os problemas da IA podem eclipsar o relatório oficial sobre o emprego em outubro, esperado na sexta-feira.
“Se os números confirmarem a solidez da atividade económica, podem causar um belo movimento de recuperação nos mercados”, previu Patrick O’Hare.
A taxa de desemprego esperada é 4,2%, o que corresponde à sua estabilização.

