Acampamento montado em Lisboa mas filme ainda corre na tela improvisada

Acampamento montado em Lisboa mas filme ainda corre na tela improvisada

A acampada em defesa da habitação voltou a ser montada na Praça do Rossio, em Lisboa, com manifestantes a reivindicar habitação digna e a denunciar a crise no setor.

© Horacio Villalobos#Corbis/Getty Images


21/10/2026
por

Lusa

Pouco depois das dez da noite e ao som do mote “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais”, a acampada em defesa da habitação estava hoje novamente montada na praça do Rossio, em Lisboa.

 

A roda de segurança feita pelos manifestantes e pedida pelos organizadores da Acampada de Lisboa aos que não ficam a pernoitar deu tempo para, em poucos minutos, voltarem a erguer os ‘iglus’, semelhantes às tendas removidas pela polícia na madrugada de terça-feira, quando foram detidas 55 pessoas.

A quinta assembleia popular em Lisboa durou esta noite mais de três horas, tendo decorrido de forma pacífica.

Entre gritos de ordem, aplausos e apupos, as vozes dos manifestantes e as suas propostas foram partilhadas perante várias centenas de pessoas que se deslocaram à Praça D. Pedro IV.

A tensão aconteceu somente já quando parte do acampamento estava montado, na altura em que um homem irrompeu pela praça com uma bandeira de Israel, mas rapidamente foi retirado por polícias que estavam no local.

Depois, houve pedidos de ajuda para montar as tendas ou estender os tapetes para a sessão de cinema, já que hoje a música não esteve presente à semelhança dos últimos dias.

Entre a multidão há muitos rostos jovens, mas encontram-se também cidadãos menos jovens com o objetivo comum da habitação digna, como gritaram em uníssono variadas vezes.

Nos cartazes, na sua maioria feitos em cartão, leem-se as reclamações de todos: “estou mais perto do céu do que conseguir casa” ou “não quero luxo, quero casa”.

Do lado oposto da acampada, encostado à estátua, vê-se um colchão com a inscrição “apartamento no Rossio 1.500 euros 1,2 m2”.

Nas esplanadas que ladeiam a praça, os turistas sentados parecem alheios ao que se passa.

O trânsito mantém-se a circular, mas por vezes alguns carros apitam em solidariedade e recebem ecos dos manifestantes.

A polícia encontra-se também no local.

Ao final da tarde fonte policial disse à Lusa que a PSP está permanentemente a avaliar o risco e vai continuar a privilegiar o diálogo, mas caso os manifestantes voltassem a montar as tendas iria intervir.

Pelas 23:30, o termómetro marca 13 graus em Lisboa, mas a sensação térmica é de 11.

O acampamento está montado, o filme ainda corre na tela improvisada.

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.

A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.

Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.

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