O deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, criticou o Orçamento do Estado para 2027, acusando o Governo de ser uma “casta apalaçada” e comparando-o à nobreza francesa de Versalhes.
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28/10/2026
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Lusa
O deputado único do BE, Fabian Figueiredo, manifestou-se hoje contra a proposta de Orçamento do Estado para 2027, considerando que se trata de um documento apresentado por uma “casta apalaçada”.
Durante o encerramento do debate na generalidade da proposta orçamental, no Parlamento, Fabian Figueiredo comparou o atual executivo PSD/CDS-PP à nobreza aristocrata francesa do século XVIII, apontando que “em outubro de 1789, as mulheres de Paris subiram a Versalhes por causa do preço do pão e o rei voltou com elas para a cidade”.
“Os palácios que não ouvem acabam sempre assim, a descer à rua. O vosso já começou. O primeiro-ministro quebrou ontem o silêncio porque o país real lhe foi à porta. Este orçamento foi escrito lá dentro, com as janelas fechadas. É o orçamento da casta apalaçada”, acusou, numa referência aos protestos pela habitação que têm marcado a atualidade.
Fabian Figueiredo manifestou-se contra a proposta e acrescentou que o levará para a fase da especialidade “com aquilo que o palácio não percebe: que o salário tem que chegar para a vida”.
O deputado único do BE imputou ao Governo um distanciamento da maioria dos cidadãos, considerando que é por isso que os membros do executivo “ficam espantados quando o país lhes diz que uma renda de 2.300 euros é impagável”.
“O ministro das Finanças disse que tem muita dificuldade em perceber. Eu acredito. Em Versalhes, também ninguém percebia. Maria Antonieta nunca terá dito que comessem brioches. Nem precisava. No palácio ninguém sabia o preço do pão”, ironizou.
O bloquista apontou ainda que na Polónia, “governada por um partido irmão do PSD”, existe atualmente controlo de preços, mas o Governo recusa, “como se os combustíveis estivessem baratos”.
“O IRC baixa mais 300 milhões. A banca lucrou 6.3 mil milhões há um ano pelo imposto que lhe prometeram. Os ‘Spinumboys’ chamam a isto confiança. Os portugueses chamam de privilégio de casta”, criticou.

