A Cimeira Ibero-Americana desta semana em Madrid vai ter 10 dos 22 países da comunidade representados por chefes de Estado e Governo e deverá fechar “cinco grandes” acordos, disse hoje o Governo espanhol, anfitrião e organizador do encontro.
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03/11/2026
por
Lusa
A Cimeira Ibero-Americana desta semana em Madrid vai ter 10 dos 22 países da comunidade representados por chefes de Estado e Governo e deverá fechar “cinco grandes” acordos, disse hoje o Governo espanhol, anfitrião e organizador do encontro.
Os países representados “ao máximo nível” são Andorra, Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Portugal, República Dominicana e Espanha, sendo que os presidentes do Brasil (Luiz Inácio Lula da Silva) e do México (Claudia Sheinbaum), os dois maiores Estados-membros em termos de população, não vão estar em Madrid.
Outra ausência confirmada hoje é a da Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodrigues.
Já Portugal e Espanha são os dois países que estarão representados tanto pelos chefes de Estado como pelos líderes dos governos na 30.ª Cimeira Ibero-Americana, que decorre na quarta e na quinta-feira na capital espanhola.
Colômbia, Equador e El Salvador têm comitivas chefiadas por vice-presidentes e os restantes países pelos ministros dos Negócios Estrangeiros.
Fontes do Governo espanhol destacaram, por outro lado, a presença, como “convidados especiais”, do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, que visam dar “projeção internacional” à cimeira e à comunidade, “ligando o espaço ibero-americano ao mundo e aos temas que afetam a todos”.
O executivo de Madrid espera ainda “cinco grandes resultados” desta cimeira, materializados em vários acordos como o que cria a rede ibero-americana de redução do risco de desastres e proteção civil, uma proposta apresentada por Portugal.
Deverá ainda sair da cimeira uma “aliança ibero-americana para a Inteligência Artificial”, um acordo para a “mobilidade académica”, outro sobre cuidados e apoio social a pessoas idosas e com necessidades específicas e uma nova estratégia de cooperação entre os países ibero-americanos, que visa atualizar a anterior e colocar ênfase na “cooperação triangular e na cooperação sul-sul”.
O Governo português disse hoje, a propósito da cimeira desta semana, que “Portugal continuará a contribuir para o reforço da ligação entre a Comunidade Ibero-Americana e o continente africano, através da operação do Fundo de cooperação triangular Portugal-América Latina-África, que terá uma dotação de 1 milhão de euros para o período 2026-2028”.
Este fundo, criado e financiado totalmente por Portugal, conta já com duas edições e é considerado “um modelo inovador” que aproxima três regiões e “o primeiro projeto de cooperação com estas características” dentro desta comunidade de países ibero-americanos, segundo a Secretaria-Geral Ibero-americana (SEGIB, na sigla oficial).
A 30.ª Cimeira Ibero-Americana quer reafirmar e relançar esta comunidade de países, objetivo que o Governo de Espanha considera estarem já concretizados, disseram hoje fontes do executivo.
Apesar das ausências de nomes como Lula da Silva ou Claudia Sheinbaum, o Governo espanhol destacou o número de países representados “ao máximo nível” depois da cimeira anterior, em 2024 no Equador, que ficou marcada pela menor participação de sempre de chefes de Estado ou de Governo (foram apenas quatro: os presidentes de Portugal e Equador, o primeiro-ministro de Andorra e o Rei de Espanha) e por, pela primeira vez, não ter sido possível chegar a um consenso para uma declaração final.
Em Madrid haverá uma declaração política final, além dos “cinco grandes” acordos, realçou o executivo espanhol, que destacou ainda que no último ano houve perto de 30 reuniões ministeriais, de que saíram 35 declarações, para preparar a cimeira.
Uma das presenças potencialmente polémicas na cimeira é a do Presidente da Argentina, Javier Milei, que no mês passado esteve em Madrid e chamou “indecente ditador” ou “ladrão corrupto”, entre outros insultos, ao primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, durante uma conferência.
O Governo espanhol disse hoje que Sánchez não prevê ter encontros bilaterais à margem da cimeira com outros líderes e que é habitual que no plenário da comunidade ibero-americana se sentem líderes com convicções muito diferentes.
As cimeiras ibero-americanas realizam-se a cada dois anos e Portugal propôs ser o anfitrião da de 2030, que se seguirá à de 2028, nas Honduras.
A comunidade é composta por três países europeus (Portugal, Espanha e Andorra) e 19 latino-americanos (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, México, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Cuba e República Dominicana).
Em Madrid passará a ter 15 países observadores permanentes, com a incorporação de Angola, Índia e Turquia a um grupo de que fazem parte a Alemanha, Bélgica, Coreia do Sul, Filipinas, França, Haiti, Hungria, Itália, Japão, Luxemburgo, Marrocos e Países Baixos.

