O ministro dos Negócios Estrangeiros do Peru declarou hoje, em Lisboa, que o seu país pode aprender muito com a política de segurança aplicada pelo Governo de El Salvador no combate às organizações criminosas transacionais, nomeadamente ao narcotráfico.
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03/11/2026
por
Lusa
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Peru declarou hoje, em Lisboa, que o seu país pode aprender muito com a política de segurança aplicada pelo Governo de El Salvador no combate às organizações criminosas transacionais, nomeadamente ao narcotráfico.
Na semana passada, “durante uma visita com a Presidente Keiko Fujimori [que assumiu o cargo em julho] a El Salvador, ficamos gratamente impressionados com o sistema penitenciário salvadorenho”, declarou Carlos Espá à agência Lusa, à margem do Fórum EuroAmérica 2026, realizado em Lisboa.
Espá explicou que o sistema penitenciário construído pelo governo do Presidente salvadorenho, Nayib Bukele, não se restringe apenas ao Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), que é uma prisão de máxima segurança.
O Cecot acabou por se tornar um dos símbolos da política de segurança salvadorenha, que é marcada por prisões em massa e pelo endurecimento das medidas contra organizações criminosas.
As organizações não-governamentais (ONG) criticam o modelo de segurança pública salvadorenho, argumentando que violam os direitos humanos, promovendo prisões arbitrárias, tortura e outros tipos de violações.
O Cecot também recebeu imigrantes venezuelanos – posteriormente enviados para a Venezuela – e salvadorenhos expulsos dos Estados Unidos, num acordo acertado entre o Governo do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e Bukele, amplamente criticado por organizações internacionais.
“Também há outras prisões, que a imprensa internacional não dá muita visibilidade, que trabalham a recuperação dos presos e a sua reinserção social com atividades, introduzindo profissões como a carpintaria, através da qual fabricam móveis para escolas. Muito bonito”, declarou Espá.
Segundo o ministro peruano, “o governo de El Salvador separa os presos de segurança máxima – que pertencem a organizações criminosas – dos que são potencialmente recuperáveis”.
“Não é somente a construção de prisões, pois não adianta apenas construir centros prisionais, estes devem ser acompanhados de uma política prisional, de uma reforma do código penal e de uma série de políticas de acompanhamento, como a responsabilização das empresas de telefonia móvel para que não haja sinal nas prisões, impondo multas pesadíssimas. Temos muito que aprender com El Salvador”, garantiu.
“Em El Salvador temos, além de uma política prisional, políticas educativas e políticas sanitárias. Por exemplo, no exame PISA – exame internacional de avaliação dos estudantes coordenado pela OCDE -, em pouco tempo, houve um grande salto [no nível educacional] das crianças”, avaliou.
Para Espá, cada país tem as suas realidades, as suas políticas, as suas próprias ações, “mas isso não significa que não se possa aproveitar as coisas positivas de outros países”.
Carlos Espá declarou que o Governo peruano também vê com muito “entusiasmo” a política de segurança dos Estados Unidos.
“Pela primeira vez, não é apenas um papel, há uma visão mais atenta e de preocupação dos Estados Unidos para a América Latina diante de uma nova forma de ameaça à segurança internacional que são as organizações criminosas transnacionais. As iniciativas multilaterais que estão a desenvolver-se neste momento refletem esta preocupação”, indicou.
O Peru integra o Escudo das Américas – grupo criado em março de 2026, sob os auspícios de Donald Trump e integrado por países latino-americanos e os Estados Unidos – que tem como objetivo combater as organizações de narcotraficantes e outros grupos criminosos no continente americano, 24 no total, incluindo dois grupos brasileiros: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
O Brasil e o México não fazem parte do grupo, demonstrando que não estão alinhados com a política de segurança norte-americana, que foi chamada “doutrina Donroe”, referindo-se à antiga doutrina Monroe [implementada pelo Presidente dos EUA James Monroe em 1823], na qual a América Latina seria zona de influência dos norte-americanos.

