Como é que as temperaturas afetam o desempenho dos jogadores do Mundial?

Como é que as temperaturas afetam o desempenho dos jogadores do Mundial?

Especialistas relacionam o aumento da temperatura com consequências para o desempenho em campo.
O calor pode chegar a exercer uma carga cardiovascular, acelerar a desidratação e ainda reduzir a precisão técnica em esforços intensos.

© Shutterstock


28/06/2026
por

Inês Morais Monteiro

Antes de implicar com o desempenho da seleção portuguesa no Mundial 2026, recorde-se que estes jogos decorrem em plenas temperaturas de verão e em locais com condições climáticas muito diferentes entre si.

 

Se houver algum deslize em campo, será que o mau desempenho de alguns jogadores pode ser justificado pelas temperaturas elevadas? 

Segundo revelam alguns especialistas, o calor aumenta, de facto, a carga cardiovascular, acelera a desidratação e pode reduzir a precisão técnica em esforços intensos. Nalguns casos, os atletas são mesmo obrigados a parar. Porém, note que este alerta não serve somente para os craques que vão ao Mundial. Se vai treinar durante as horas de maior calor, saiba o que precisa de ter em consideração.

O que acontece quando se exercita ao ar livre?

“Num jogo com calor, o futebolista não se cansa apenas por correr muito, mas porque o seu organismo está a competir simultaneamente contra o adversário e contra a temperatura. A frequência cardíaca sobe mais rapidamente, perde-se mais líquidos e cada sprint tem um impacto maior na ação seguinte. Isto pode fazer com que o jogador chegue atrasado a uma marcação, reduza a velocidade máxima que consegue manter ou precise de mais tempo para recuperar após um esforço intenso”, explica Alejandro Maroto, treinador da Blua de Sanitas, empresa ibérica pertencente à seguradora Bupa.

Perante estes casos de calor extremo, o corpo passa a ter de dedicar parte dos seus recursos à dissipação do calor e, para tal, “aumenta a transpiração e desvia mais fluxo sanguíneo para a pele e, consequentemente, o músculo dispõe de menos margem para sustentar esforços intensos, obrigando o coração a trabalhar com uma carga adicional”.

A par disso, estes especialistas explica que isso também se reflete na tomada de decisões: A fadiga térmica afeta a clareza mental, a coordenação e a precisão técnica. “Um jogador desidratado ou com temperatura corporal elevada pode fazer uma escolha menos acertada no passe, calcular mal uma entrada ou cometer erros que normalmente não ocorreriam em condições ambientais mais habituais”, descrevem.

“Treinar com calor exige uma mudança de mentalidade. Não se trata de demonstrar resistência, mas sim de ajustar a intensidade para que o exercício continue a ser saudável. No verão, uma sessão inteligente pode consistir em fazer menos volume, descansar mais e terminar com boas sensações. Forçar quando o corpo já não regula bem a temperatura aumenta o risco de esgotamento, lesão ou insolação”, clarifica o treinador pessoal da Blua de Sanitas.

Afinal, como é que pode fazer desporto (em segurança) mesmo durante os dias de calor?

Manter-se hidratado (mesmo antes de sentir sede)

Segundo estes especialistas, uma dica prática para perceber o nível de hidratação do corpo é observar a cor da urina antes de se exercitar. Se esta estiver muito escura, é preferível adiar ou reduzir a intensidade da sessão de treino.

Evitar treinos de alta intensidade nas horas de maior calor

Se para apanhar sol já é problemático, imagine para exercitar-se! As sessões de séries, treino em subida, HIIT ou jogos intensos devem ser reservadas para o início da manhã ou para o final da tarde.

Saber escolher o equipamento mais adequado

As peças de roupa escuras, justas ou pouco respiráveis dificultam a dissipação do calor. É preferível usar roupa leve, um boné em caso de exposição solar direta e também protetor solar para a pele. Em percursos longos, é indispensável levar bebida.

Interromper a atividade ao primeiro sinal de alerta

Tonturas, calafrios, náuseas, dor de cabeça intensa, cãibras persistentes, confusão ou perda de coordenação são motivos suficientemente fortes para interromper a atividade imediatamente. Nesses casos, é necessário procurar sombra, refrescar o corpo, beber líquidos gradualmente e pedir ajuda se os sintomas não melhorarem.

Reduza o período da sessão de treino ou diminua a intensidade

A BBC dá também conta deste método, dado que, “às vezes, uma caminhada mais curta pela manhã, ou algum movimento leve dentro de casa, é mais seguro e realista do que tentar seguir rigidamente a mesma rotina”, explica García Witulski, epidemiologista de estilo de vida ambiental da Universidade Católica da Argentina.

A par disso, o especialista acrescenta que condições mais quentes geram mais “tensão térmica”, o que leva a um aumento do cansaço e do desconforto. 

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Inês Morais Monteiro | 10:31 – 04/05/2026

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