Dezenas na vigília solidária contra despejo de família em Lisboa

Dezenas na vigília solidária contra despejo de família em Lisboa

Várias dezenas de pessoas protestaram hoje contra o despejo de uma jovem mãe e dos seus dois filhos menores de uma habitação municipal no Bairro do Condado, em Marvila, numa vigília solidária organizada pela Comissão de Moradores e Utentes de Marvila (COMUM).

© Diogo Baptista/SOPA Images/LightRocket via Getty Images


23/10/2026
por

Lusa

Várias dezenas de pessoas protestam hoje contra o despejo de uma jovem mãe, viúva, e dos dois filhos menores de uma habitação municipal no Bairro do Condado, na freguesia lisboeta de Marvila, numa vigília solidária no local.

 

Juntou-se à vigília o movimento Acampada de Lisboa, que grita palavras de ordem como “as pessoas não são lixo para serem despejadas”.

“Casas sim, despejos não”, “habitação é um direito, sem ela nada feito”, “Moedas escuta, o povo está em luta” e “gente despejada e casas vazias” gritam também os manifestantes junto à habitação municipal de onde foi despejada a jovem e os filhos menores de 4 e 2 anos.

Ao microfone, um porta-voz da Acampada de Lisboa defendeu a necessidade de continuar a protestar pelo direito à habitação: “Por cada despejo, 1.000 ocupações. Por cada despejo, 1.000 acampadas.”

Organizada pela Comissão de Moradores e Utentes de Marvila (COMUM), esta iniciativa de mobilização popular surge em protesto contra a decisão da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e da Gebalis – empresa que gere a habitação municipal – em manter o despejo desta família, que ocorreu no final de julho, “sem qualquer solução ou garantia de alternativa habitação”.

Os manifestantes erguem ainda cartazes com frases de ordem: “Vergonha: mãe e filhos despejados sem soluções dignas!”, “Gente despejada e tanta casa vazia!”, “A CML não pode ser uma agência de despejos!” e “Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto (…) – artigo 65 da Constituição da República Portuguesa”.

Na quinta-feira à noite, a Acampada de Lisboa pela habitação, que se tem concentrado desde sábado na praça do Rossio, decidiu deslocar-se hoje para Marvila para participar na vigília contra o despejo desta jovem mãe e dos seus filhos.

A jovem vivia numa habitação municipal no Bairro do Condado, em Marvila, pagava as rendas e procurou regularizar o contrato de arrendamento, na sequência da morte dos dois titulares da casa, o companheiro e pai das crianças e a avó deste, que morreram em 2024.

Gebalis defende despejo de viúva e aponta idoso de 84 anos como vítima

A Gebalis afirmou que cumpriu a lei no despejo de uma jovem mãe em Marvila, Lisboa, e que o idoso de 84 anos que foi ilegalmente impedido de aceder à casa era companheiro da titular do contrato de arrendamento.

Lusa | 16:17 – 23/10/2026

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