Especialistas pedem que alterações climáticas sejam declaradas emergência

Especialistas pedem que alterações climáticas sejam declaradas emergência

Especialistas defendem que as alterações climáticas sejam declaradas uma emergência global de saúde, segundo um relatório divulgado hoje. O estudo aponta que os impactos na saúde estão a avançar mais rapidamente do que as ações para combater as mudanças climáticas.

© Lusa


28/10/2026
por

Lusa

As alterações climáticas devem ser declaradas uma emergência global de saúde, já que os seus impactos sobre esta avançam mais rapidamente do que as ações para as combater, defendem especialistas num relatório divulgado hoje.

 

O relatório do “Lancet Countdown sobre Saúde e Alterações Climáticas” indica que alguns dos danos para a saúde causados pelas alterações climáticas se intensificaram mais rapidamente na década seguinte à entrada em vigor do Acordo de Paris (2016–2025) do que na década anterior (2006–2015).

E isto deve-se, segundo os especialistas, ao facto de as medidas de combate às mudanças climáticas não avançarem “ao ritmo necessário”, refere um comunicado da revista científica Lancet.

Os autores do relatório, liderado pelo University College London (UCL) em colaboração com a Organização Mundial de Saúde (OMS), defendem assim que “as alterações climáticas sejam oficialmente reconhecidas e tratadas como uma emergência de saúde global e que a saúde oriente tanto as políticas quanto as prioridades de financiamento para combater” aquelas mudanças.

Os investimentos em energia limpa, sistemas de saúde mais resilientes, uma legislação mais abrangente em matéria de proteção da saúde e um número crescente de evidências científicas desde a assinatura do Acordo de Paris, em 2015, ” trouxeram benefícios concretos” para a saúde da população, mas estes avanços são “demasiado lentos, insuficientes e inconsistentes” para compensar “os danos crescentes causados pelas alterações climáticas provocadas pelo uso dos combustíveis fósseis”, explica o comunicado.

Segundo o relatório, “o calor esteve associado a uma média estimada de 540.800 mortes por ano entre 2016 e 2023, 68% delas (369.900) causadas pelas alterações climáticas, um aumento em relação aos 55% (219.100) por ano no período de 2006 a 2015”.

Na 21.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações sobre Alterações Climáticas (COP21), realizada em Paris, os países do mundo acordaram impedir que as temperaturas a nível global subissem além dos 2ºC (graus Celsius) em relação à época pré-industrial, e que de preferência esse aumento não ultrapassasse os 1,5ºC.

“Uma década após o Acordo de Paris, as nossas conclusões são inequívocas: os danos para a saúde causados pelas alterações climáticas estão a crescer mais rapidamente do que a resposta global às mesmas e, em muitos casos, até a acelerar”, afirma Marina Romanello, diretora executiva do Lancet Countdown, citada no comunicado.

O relatório representa o trabalho de 146 investigadores multidisciplinares de mais de 100 instituições de uma trintena de países e os seus números “apontam para uma clara emergência”, adianta.

“Não se trata de um agravamento gradual, é uma mudança drástica que precisa de ser reconhecida como a emergência de saúde global que é”, reforça Marina Romanello.

Publicado a pouco mais de uma semana do início da COP31, que decorre de 9 a 20 de novembro, na Turquia, o relatório monitoriza 54 indicadores sobre os impactos das alterações climáticas e das medidas para as combater na saúde.

O 10.º relatório do Lancet Countdown constata que “continua aquém do esperado” o progresso na transição climática, que prevê o abandono gradual dos combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) e a sua substituição por fontes de energia renováveis (solar, eólica e hídrica), para limitar o aquecimento global.

Aponta também que os governos nacionais, as organizações internacionais e o setor privado estão agora menos empenhados nas questões de saúde e nas alterações climáticas, revertendo progressos anteriores, bem como que o financiamento para a adaptação às mudanças no clima está muito abaixo do necessário.

“Este relatório é um alerta contundente de que as alterações climáticas representam uma emergência de saúde. O que falta não são evidências, mas vontade política para agir”, afirma Helen Clark, antiga primeira-ministra da Nova Zelândia e presidente do Conselho do Lancet Countdown, citada no comunicado.

“Os governos devem reforçar os seus compromissos de ação climática e retomar a cooperação internacional. Isto deve ser acompanhado por reduções rápidas das emissões e um apoio significativamente maior à adaptação, particularmente para as comunidades menos responsáveis pelas alterações climáticas e mais vulneráveis aos seus impactos”.

logo_nacloset_285_285_4k_webp2
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.