Hutis reclamam novo ataque contra instalações petrolíferas sauditas

Hutis reclamam novo ataque contra instalações petrolíferas sauditas

Os rebeldes Huthis do Iémen reivindicaram hoje um ataque com um drone contra uma instalação petrolífera da Aramco na Arábia Saudita, segundo a agência de notícias Saba, ligada ao grupo iemenita apoiado pelo Irão.

© Mohammed Hamoud/Getty Images


14/08/2026
por

Lusa

De acordo com uma fonte militar citada pela Saba, o ataque teve como alvo as instalações de Najran, no sudoeste da Arábia Saudita, com recurso a um drone, e “a operação atingiu o objetivo”.

 

O ataque ocorreu “em resposta à violação da soberania iemenita por aviões de guerra sauditas, que penetraram o espaço aéreo sobre o nordeste” do país, segundo a mesma fonte.

Nem o Governo de Riade nem a Aramco reagiram ainda a esta informação.

Na quinta-feira, os rebeldes já tinham reivindicado a autoria de um ataque contra uma refinaria de petróleo saudita na região de Jizan, com recurso a dois drones.

Este foi o segundo ataque em menos de uma semana contra as mesmas instalações, que processam cerca de 400 mil barris de crude por dia e produzem derivados como gasolina e gasóleo.

As hostilidades reacenderam-se nas últimas semanas entre os Huthis, que controlam partes do Iémen, incluindo a capital, Sanaa, e a Arábia Saudita, que interveio militarmente no país vizinho em 2015 em apoio do Governo internacionalmente reconhecido.

A escalada começou no final do mês passado, quando os Huthis anunciaram um bloqueio marítimo à navegação saudita no mar Vermelho.

Desde então, os Huthis lançaram ataques com mísseis e drones contra navios mercantes no mar Vermelho e em território saudita, incluindo instalações petrolíferas.

Riade respondeu através da coligação que lidera com ataques contra algumas áreas controladas pelos rebeldes e anunciou também uma aliança marítima multinacional com o objetivo de proteger a navegação no mar Vermelho e no estreito de Bab el-Mandeb.

O bloqueio dos Huthis junta-se às restrições impostas pelo Irão no estreito de Ormuz, por onde passavam 20% dos bens petrolíferos antes da guerra lançada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica.

Os rebeldes iemenitas retomaram também os ataques contra as forças do Governo internacionalmente reconhecido, depois de as partes terem alcançado um cessar-fogo em 2022.

Hoje, lançaram uma nova série de ataques com mísseis balísticos contra a cidade portuária de Moca, no mar Vermelho, controlada pelas autoridades governamentais, disseram meios de comunicação social militares das Forças Conjuntas, acrescentando que houve vítimas, embora sem detalhes.

Fonte militar precisou à agência de notícias France-Presse (AFP) que o ataque causou oito mortos.

O enviado especial da ONU para o Iémen, Hans Grundberg, alertou na quinta-feira o Conselho de Segurança que o país enfrenta atualmente a maior ameaça de um conflito em grande escala desde o cessar-fogo de 2022.

O enviado da ONU apontou também o regresso dos ataques dos Huthis contra navios mercantes no mar Vermelho e no golfo de Áden, num contexto em que “o comércio regional e os fluxos de energia já estão sob intensa pressão devido à crise no estreito de Ormuz”, resultante da guerra entre os Estados Unidos e o Irão.

Estes ataques “ameaçam aprofundar o envolvimento do Iémen no conflito regional mais vasto” e põem em perigo as vidas das tripulações dos navios comerciais, bem como da população iemenita, avisou Grundberg.

Antes do cessar-fogo na Faixa de Gaza, em outubro do ano passado, os Huthis já tinham colocado o tráfego marítimo comercial sob ameaça, ao largo da costa do Iémen, invocando solidariedade com o aliado palestiniano Hamas na guerra iniciada em outubro de 2023 com Israel.

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