O líder da Lista Árabe Unida, Mansour Abbas, acusou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de mentir ao afirmar que a minoria árabe tentou cometer fraude eleitoral nas eleições israelitas de hoje.
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27/10/2026
por
Lusa
O principal candidato israelo-árabe, Mansour Abbas, líder da Lista Árabe Unida (Raam), concorrente às eleições legislativas israelitas de hoje, acusou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de “mentir” ao afirmar que a minoria árabe tentou cometer fraude eleitoral.
“Benjamin Netanyahu está a mentir e a fazer declarações incendiárias contra a Lista Árabe Unida, usando-as como uma tática de medo para mobilizar os eleitores de direita e levá-los às urnas”, afirmou Abbas numa mensagem vídeo.
De manhã, depois de votar, Netanyahu acusou alguns partidos árabes de tentarem “roubar as eleições”, após o anúncio da detenção de pessoas suspeitas de comprar votos.
O líder do Likud, que ao longo de toda a campanha eleitoral visou os partidos árabes israelitas, afirmou que “três altos responsáveis” do partido Raam foram detidos no sul do país na posse de envelopes com dinheiro.
O diretor-geral interino da Comissão Eleitoral Central, Dean Livneh, deu conta de um incidente “invulgar” durante uma conferência de imprensa, indicando que “a polícia tinha intercetado”, ainda antes da abertura das assembleias de voto, “indivíduos que tentavam comprar votos”.
Livneh acrescentou que os suspeitos, cuja identidade não foi divulgada, tinham sido detidos perto das respetivas residências e que estava em curso uma investigação.
“Não foi registado qualquer outro incidente deste tipo no país”, garantiu.
A polícia confirmou posteriormente que três pessoas tinham sido detidas durante a noite, por suspeita de tentarem subornar eleitores para votarem no partido Raam, força política que, até agora, ainda não reagiu às acusações.
“Os investigadores do distrito Sul apreenderam mais de 24 mil shekels [cerca de 6.950 euros) em numerário, incluindo envelopes com dinheiro previamente preparados, bem como apontamentos, durante buscas às residências dos suspeitos”, indicou a polícia, em comunicado.
“Não podemos deixar esta batalha nas mãos da esquerda e dos partidos árabes que querem pôr fim ao Estado judaico. Por isso, nada de churrascos, não vão à praia: vão votar no Likud”, afirmou Netanyahu.
O Raam, que espera conquistar oito lugares no Knesset, o parlamento israelita, composto por 120 deputados, poderá desempenhar um papel decisivo na formação de uma coligação liderada pela oposição, caso os resultados eleitorais sejam tão renhidos como previsto.
As acusações de Netanyahu foram também alvo de críticas do partido Yashar, de Gadi Eisenkot, principal rival do líder do Likud, que argumentou que o primeiro-ministro israelita está a “preparar o terreno” para contestar os resultados em caso de derrota.
“Netanyahu está em pânico e a preparar o terreno para contestar os resultados. Precisamos de ultrapassar o Likud com uma margem considerável, pois só assim não haverá espaço para semear dúvidas”, lê-se no comunicado do partido Yashar.

