Emilio Cortés, especialista em direito penal, considera “uma negligência” a maneira como Jesús Owono saltou à bola, no lance que levaria à morte de Jesús de Miguel, no Tenerife-FC Andorra, e explica os contornos legais do caso.
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04/11/2026
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Emilio Cortés, especialista em direito penal, concedeu, esta quarta-feira, uma extensa entrevista ao programa ‘El Partidazo‘, emitido pela rádio espanhola Cadena COPE, na qual explicou as potenciais consequências com que Jesús Owono terá de lidar, na sequência do violento choque que levou à morte de Jesús de Miguel, no encontro da passada segunda-feira, entre Tenerife e FC Andorra.
“Em princípio, seria um delito negligente, e isso é uma categoria bastante mais complexa do que o dolo. A negligência consiste em produzir um resultado lesivo – neste caso, um resultado de morte – sem querer produzi-lo, porque não era a intenção, mas levando a cabo uma conduta que acarreta consigo tamanha quantia de perigo para a integridade física da própria ação em que acaba por produzir-se o resultado da morte”, esclareceu.
“Isso acontece nas passadeiras, quando, de forma distraída, as ignoramos e provocamos um resultado de morte, ou quando sofremos uma intoxicação num restaurante, por exemplo. A negligência é uma categoria que convive connosco, no direito penal, mas que, evidentemente, é mais difícil de provar do que um dolo direto, que revela mais claramente a intenção do autor”, prosseguiu.
“Eu não tenho dúvida de que se trata de uma negligência, mas, no Código Penal, o homicídio negligente distingue entre uma negligência grave, que acarreta até quatro anos de prisão, e uma leva, que acarreta uma pena de multa. Como não podemos fazer um direito penal desportivo especial, temos de aplicar os títulos de imputação, e só temos esses dois, para analisar objetivamente essa conduta”, completou.
O jurista sublinhou, ainda, que será “fundamental” perceber ao certo “qual foi a mecânica da atuação do porteiro”, na hora de o sentenciar: “Há um dado que, se finalmente houver uma resolução judicial, vai pesar muitíssimo, isto é, o avançado não via o guarda-redes, mas o guarda-redes via o avançado”.
Policía Nacional já está a investigar o caso
O Grupo de Homicídios da Policía Nacional espanhola, recorde-se, já ordenou a abertura de uma investigação formal à morte de Jesús de Miguel, com o objetivo de perceber ao certo os contornos do lance registado já no período de compensação deste encontro, que acabaria por ser suspenso pelo árbitro Manuel Pérez, pelo que os restantes minutos serão disputados numa data ainda por definir.
O avançado (que, pouco mais de meia hora antes, tinha sido lançado para o lugar do capitão, Enric Gallego) corria solto para o ataque, atrás de uma bola lançada em profundidade, quando foi autenticamente abalroado pelo guarda-redes adversário, no meio-campo, e caiu desamparado no relvado, antes de perder os sentidos, o que causou momentos de profunda consternação.
Elementos de ambas as formações pediram, de imediato, a entrada da equipa médica, que o assistiu durante largos minutos, antes de ter sido transportado, de ambulância, para a dita unidade hospitalar. Jesús Owono foi expulso e abandonava o relvado sem o mínimo protesto, quando se deparou com a urgência do estado do adversário e se virou para perceber o que se passava.

