O grupo parlamentar do PCP requereu hoje a realização de um debate parlamentar de urgência sobre a atuação policial na madrugada de 01 de novembro em Lisboa e no Porto, que disse estar a gerar “enorme indignação”.
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01/11/2026
por
Lusa
O grupo parlamentar do PCP requereu hoje a realização de um debate parlamentar de urgência sobre a atuação policial na madrugada de 01 de novembro em Lisboa e no Porto, que disse estar a gerar “enorme indignação”.
“Não obstante o decurso do processo de especialidade do Orçamento do Estado, a Assembleia da República deve assumir as suas responsabilidades de fiscalização da atividade do Governo, em particular, face a uma situação que está a gerar uma enorme indignação na sociedade portuguesa”, argumentou o PCP, numa nota divulgada à imprensa.
Nesse sentido, e perante a “gravidade dos acontecimentos”, o PCP requereu ao presidente da Assembleia da República a marcação de uma “conferência de líderes para a convocação de uma reunião plenária e agendamento de um debate de urgência sobre a atuação policial na madrugada de 01 de novembro em Lisboa e no Porto”.
Para o PCP, a “gravidade dos acontecimentos exige esclarecimentos e o apuramento das responsabilidades políticas da ação repressiva em curso” e exige que a Assembleia da República “não permaneça indiferente ao ocorrido”.
O partido apontou a “insistência do Governo na recusa às soluções e à limitação das liberdades, nomeadamente do direito à manifestação” e a “gravidade de que se revestiu a atuação policial em Lisboa e no Porto na repressão dos cidadãos que pacificamente se manifestavam pelo direito à habitação”.
O PCP lamentou o que classificou como “intervenção desproporcionada e violenta das forças de segurança”, sublinhando que tal aconteceu “depois de um procurador do Ministério Público ter vindo a público afirmar que colocar tendas nas praças não constitui qualquer ilegalidade nem ilícito”.
Praticamente em simultâneo, a partir das 04:30 de hoje, a Polícia de Segurança Pública avançou sobre os manifestantes concentrados nas acampadas em Lisboa e no Porto para que desmobilizassem, retirando tendas e detendo 13 pessoas, tendo-se registado vários feridos, inclusive polícias.
Em Lisboa, escassos minutos após o início da carga policial da PSP, com petardos e bastonadas, a Praça D. Pedro V ficou vazia. Os manifestantes foram expulsos à bastonada pelos vários acessos ao Rossio.
No Porto, a PSP destruiu o acampamento montado na Praça D. João I. Os manifestantes resistiram, gritando que a sua ação era pacífica, à medida que a força policial avançou, com recurso a bastões e a cães, empurrando-os até à Rua Dr. Magalhães Lemos.

