Portugal pode ser prejudicado pela crise em França. “Não esqueceram”

Portugal pode ser prejudicado pela crise em França.

O economista Paul Krugman alertou que Portugal pode ser prejudicado pela crise em França, tendo em conta que é um país pequeno e que os investidores têm memória da crise de 2012.

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29/10/2026
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Lusa

O economista Paul Krugman disse hoje, em entrevista à Lusa, que há risco de que Portugal saia prejudicado com a situação em França, tendo em conta que é um país pequeno e que os investidores têm memória da crise de 2012.

 

O economista norte-americano e prémio Nobel da Economia em 2008 admitiu que a situação da França o deixa “muito nervoso”, fazendo lembrar, a uma velocidade mais lenta, “uma versão do que aconteceu na Europa em 2010, depois de a Grécia entrar em ‘default’ [incumprimento da sua dívida soberana]”.

Apesar de não ser tão severa como a situação da economia grega na altura, pelo menos até agora, a França é uma economia tão grande que há a preocupação de que todo o eurosistema se fragmente devido a esta crise, alertou.

Krugman não considerou que seja o resultado mais provável, até porque as autoridades iriam fazer tudo ao seu alcance para tentar impedir isso de acontecer, mas disse que é “definitivamente assustador”.

Em termos de efeitos de contágio para Portugal, o economista notou que as bases da economia não estão más mas, ainda assim, admitiu que é um pequeno país, na periferia, prejudicado também pela memória das crises.

“Os investidores não se esqueceram de 2012”, alertou o economista, numa referência à crise da dívida soberana, apontando que a possibilidade de que Portugal possa ser prejudicado é muito real.

França atravessa uma situação financeira delicada, com uma dívida pública sob pressão dos mercados, o que se traduziu, nos últimos meses, num forte aumento dos juros e do prémio de risco, que se encontra nos níveis mais elevados desde 2012, um dos momentos críticos da crise financeira.

O país enfrenta também, há semanas, vários protestos contra o aumento do custo de vida e as condições nas escolas.

A subida dos preços da energia, que dispararam no seguimento do conflito no Médio Oriente, também tem levantado questões sobre se os Governos deveriam avançar com apoios ou ter em atenção a disciplina orçamental, notou.

Se fosse uma situação normal, com um choque temporário difícil, então o Governo deveria tentar proteger as pessoas, porque é temporário, como aconteceu na pandemia de covid-19, em que foi possível ultrapassar a crise com “sofrimento económico” mínimo.

No entanto, atualmente as grandes economias avançadas têm um nível de dívida pública “mais alto do que Portugal em 2011”, notou, e as taxas de juro estão em níveis que não se viam há décadas, pelo que é necessário os governos serem muito mais contidos.

“Sempre fui um optimista em termos de dizer que é aceitável ir aos mercados para responder a emergências, mas neste ponto, isto é uma emergência suficiente?”, questionou o economista norte-americano, apontando o nível de preocupação com a situação da dívida.

Não é necessário pensar na hipótese de que pode haver problemas, ironizou, porque se pode ver o que está a acontecer na França agora, concluiu.