Protesto pela habitação junta cerca de 300 pessoas no Porto

Protesto pela habitação junta cerca de 300 pessoas no Porto

A Praça de D. João I, no Porto, voltou a acolher cerca de 300 pessoas antes da assembleia popular que começou às 20:00, na continuação do protesto pelo direito à habitação, que começou em 10 de outubro.

© Diogo Baptista/SOPA Images/LightRocket via Getty Images


29/10/2026
por

Lusa

A Praça de D. João I, no Porto, voltou hoje a acolher cerca de 300 pessoas antes da assembleia popular que começou às 20:00, na continuação do protesto pelo direito à habitação, que começou em 10 de outubro.

 

Em frente ao Teatro Municipal Rivoli, várias dezenas de pessoas foram-se juntando ainda antes das 20:00 para assistir a um concerto da dupla gondomarense João Não & Lil Noon e, no caso dos mais novos, para brincar com os jogos disponíveis numa pequena mesa montada para “resistir a brincar”, com xadrez, livros para pintar e giz para desenhar no chão.

Como tem acontecido já desde 10 outubro, continuam a ser distribuídas refeições de forma gratuita na cantina popular da Acampada, que tem servido “200 ou 300” pessoas todos os dias, como contou à Lusa na quarta-feira Diana Lourenço, de 22 anos, que tem dedicado grande parte dos seus dias a esta missão voluntária.

A cantina funciona a um canto da praça onde os manifestantes têm acampado, pernoitado ou programado atividades em prol do direito à habitação, e tem também alimentado muitas pessoas em situação de sem-abrigo das imediações do local, a metros da Avenida dos Aliados – e da Câmara do Porto.

Hoje de madrugada, cerca de 30 pessoas pernoitaram na Praça de D. João I sem tendas, após, pelas 00:15, a comissária da PSP do Porto Eduarda Fã ter explicado aos manifestantes que teriam de as retirar, mas ter dado o aval para permanecerem no espaço público, desde que sem fazer ruído.

Durante a madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.

Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais que aconteceram na madrugada de domingo em Lisboa e no Porto. Também a provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações sobre a carga policial na madrugada de domingo sobre os manifestantes.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda.

Acampadas pela habitação querem também “conquistar território”

As acampadas não servem apenas para transmitir “as demandas” sobre o acesso à habitação, mas são também uma ocupação da cidade, assinalaram vários participantes num debate realizado hoje em Lisboa.

Lusa | 20:34 – 29/10/2026

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