Protesto, PSP e silêncio: Fernando Negrão fala em “problema de liderança”

Protesto, PSP e silêncio: Fernando Negrão fala em

O antigo ministro do PSD Fernando Negrão considerou que “há um problema de liderança” e que os esclarecimentos prestados nesta semana sobre os protestos até agora não foram suficientes.

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28/10/2026
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Notícias ao Minuto

Fernando Negrão, antigo ministro da Justiça do Partido Social Democrata, considerou, esta quarta-feira, que existe um “problema de liderança” e que são precisos esclarecimentos em relação ao que está a acontecer nos protestos no âmbito da habitação, nomeadamente em relação às cargas policiais.

 

Questionado, em entrevista à CNN Portugal, se tinha ficado esclarecido sobre a atuação da Polícia de Segurança Pública (PSP) mas manifestações, o também antigo da Polícia Judiciária (PJ) disse: “Não, não fiquei esclarecido. E presumo que poucos terão ficado esclarecidos. A não ser dentro do quadro dos partidos políticos, em que cada um tem uma determinada versão e defende essa versão com unhas e dentes – às vezes, não sabendo bem a respetiva construção. Falta ainda esclarecimento.”

Confrontando sobre as declarações do diretor nacional da PSP feitas antes de o primeiro-ministro, Luís Montenegro, quebrar o silêncio, apontou: “É outra questão que nós não conhecemos. Quem toma as decisões é a hierarquia da polícia do ponto de vista político? Não é, de certeza absoluta. É do ponto de vista operacional? Esperemos que seja só a polícia a fazê-lo do ponto de vista operacional. Mas do ponto de vista político, a decisão é tomada pelo ministro [da Administração Interna] e, no caso, conforme disse o próprio primeiro-ministro, o primeiro-ministro também terá tomado, uma vez que tem acompanhado minuciosamente este caso conforme disse ontem na Assembleia da República. Por isso, digam, esclareçam, expliquem o que se está a passar.”

Fernando Negrão insistiu ainda que é preciso falar e que não é ‘só’ trabalhar entre quatro paredes enquanto o país fica à espera de ouvir explicações: “Não é estar de fechado num gabinete a dizer que está a trabalhar. O primeiro-ministro trabalha tanto dentro do gabinete, como fora do gabinete.”

Sobre a possibilidade de as ordens sobre a atuação policial – e carga – terem passado pelos responsáveis políticos, Fernando Negrão defende que tem dúvidas “porque eles ainda não assumiram que o fizeram”. E acrescentou: “E não temos nenhum elemento que nos leve a dizer que foram eles que tomaram essa decisão. Agora, temos indiciada a probabilidade de ter sido pelo menos o ministro da Administração Interna, que uma vez se pronunciou, até de uma forma mais ou menos agressiva, relativamente ao comportamento dos manifestantes.”

Questionado sobre a que declarações se referia, Fernando Negrão admitiu a possibilidade de ter sido dada uma ordem política, remetendo para as declarações feitas por Luís Neves no passado dia 20, em que disse que “os acampamentos terminaram” e que a “lei era para ser cumprida”.

Sobre a posição já frágil de Luís Neves, e acerca do objetivo que possa ter existido aqui, respondeu: “O objetivo é só o de defender aquela que é a posição do Governo e do PSD. E a posição do Governo e do PSD é no sentido de que os manifestantes são gente que não conta para nada, os manifestantes não podem continuar a fazer o que estão a fazer porque prejudica a imagem do Governo e a imagem do país – e portanto, ‘há que tomar decisões’.”

Apontando que ainda “ia mais longe”, Fernando Negrão falou daquele que é “o principal documento” que estava em cima da mesa nos dias de hoje: “O que assistimos a estes mais de dez dias foi a discussão sobre manifestantes, polícias e o que ia acontecendo em cada dia. Será que havia alguma intenção de esconder a discussão sobre o Orçamento do Estado? […] Uma vez que não há esclarecimento, todas estas perguntas são suscetíveis de surgirem.”

Quanto ao Presidente da República, António José Seguro, o antigo ministro do PSD disse que a sua intervenção veio “tarde e a más horas” e a sua declaração não foi “muito forte nem veemente no sentido de apelar ou impor mesmo ao Governo que começasse a informar os cidadãos daquilo que se passa e olhasse para as manifestações de outra forma”. E defendeu: “O Presidente da República tem, neste momento, condições para ser ele a conduzir este processo. Aguardemos, porque não fazemos outra coisa a não ser aguardar […]. Temos um problema de liderança aqui.”

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