Raimundo diz que Chega “está todo contente” com “frete” do PS

Raimundo diz que Chega

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, afirmou que o Chega está “todo contente” com a abstenção do PS no Orçamento do Estado para 2027, acusando os socialistas de fazerem um “frete” que permite ao partido de André Ventura continuar com a demagogia e a barulheira.

© Horacio Villalobos#Corbis/Corbis via Getty Images


22/10/2026
por

Lusa

O secretário-geral do PCP afirmou hoje que o Chega está “todo contente” com a abstenção do PS no Orçamento do Estado, acusando os socialistas de fazerem um “frete” que permite ao partido de André Ventura “continuar a demagogia e a barulheira”.

 

No encerramento de uma audição pública, no Parlamento, promovida pelo PCP sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), Paulo Raimundo criticou o que classificou como “calculismo e jogos políticos” em torno da proposta orçamental.

“O PS diz ‘este Orçamento não é nosso, é um desastre para o país, mas vamos viabilizar por causa da instabilidade’. Qual instabilidade? Da vida? É a pergunta que se faz […]. E o Chega? Está todo contente que o PS vai viabilizar um orçamento que é o orçamento do Chega. Mas como o PS faz o frete, eles têm o espaço todo para continuar a demagogia e a barulheira”, afirmou.

O líder comunista considerou que o país vive uma “situação caricata” em que “há um partido que diz que não está de acordo, mas que vai viabilizar” o Orçamento e “há um outro partido que diz que não vai viabilizar, mas está todo de acordo” que seja viabilizado.

Raimundo avisou também que quem viabilizar o Orçamento terá de assumir as consequências dessa escolha e recordou o voto contra do PCP à proposta de Orçamento do Estado para 2022, porque não estavam cumpridas as exigências dos comunistas em relação à habitação, ao Serviço Nacional de Saúde, aos salários e à contratação coletiva.

“Nós sabemos bem a porrada que levámos. A porrada, entre aspas. Mas pronto, quando não se está de acordo, não se vota a favor”, enfatizou.

O secretário-geral do PCP considerou que a situação “não está fácil” e que “muito provavelmente” se vão “encontrar maiorias suficientes na Assembleia para o Orçamento passar”.

“Se ele passar, vamos ter que levar com ele. Mas há uma coisa que nós não podemos esquecer também que é que o processo não acaba para a semana, inicia para a semana e vai acabar no final de novembro, e de que […] a força imensa que derrotou o pacote laboral, é aí que se encontra também a força imensa para que, independentemente do que venha a ser ou não o orçamento de Estado, se continue a aumentar a rejeição a esta política”, disse.

Nesta intervenção de cerca de 15 minutos, Paulo Raimundo sustentou também que a proposta orçamental reflete opções políticas favoráveis aos interesses privados e considerou que “com o dinheiro que existe, era possível outro tipo de opções”.

“Se precisas de ver quem ganha, ‘follow the money’ [segue o dinheiro]. Aqui é a mesma coisa. Se nós queremos saber a quem serve esta proposta deste orçamento […] siga-se o dinheiro em função das opções que são concretizadas. E vai-se perceber a quem é que ele serve”, considerou.

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Lusa | 14:06 – 22/10/2026

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