Turquia liberta 106 manifestantes e prende outros ativistas LGBTQ

Turquia liberta 106 manifestantes e prende outros ativistas LGBTQ

A polícia turca libertou hoje mais de 100 manifestantes que tinham sido detidos na véspera enquanto protestavam contra uma vasta operação de repressão à comunidade LGBTQ durante o fim de semana, segundo defensores dos direitos humanos e um jornalista.

© ShutterStock


16/09/2026
por

Lusa

Estas 106 pessoas tinham sido detidas na terça-feira em frente a um tribunal de Istambul, onde os ativistas deveriam ler uma declaração denunciando as batidas maciças contra membros e ativistas da comunidade LGBTQ.

 

A Associação de Advogados Progressistas (CHD) confirmou hoje à noite a libertação de todas as 106 pessoas, tal como um correspondente da agênia de notícias francesa AFP a assistir à maioria destas libertações no local.

Entre os detidos estavam dois jornalistas, um do diário de esquerda BirGün e o outro da cadeia de televisão alemã ARD, presos enquanto faziam a cobertura da manifestação, segundo a CHD e o BirGün.

Na manhã de domingo, a polícia turca realizou incursões em bares gays, discotecas bem como em casas de ativistas e de membros da comunidade LGBTQ, com base em mandados direcionados a 162 pessoas, nove organizações e 13 empresas em 15 províncias, incluindo Istambul, Ancara e Izmir.

Segundo a associação turca de advogados pela justiça (AIH), 109 pessoas foram detidas.

O presidente Recep Tayyip Erdogan, à frente de um governo islâmico-conservador, descreveu a comunidade LGBTQ como um movimento “desviado” composto por “pervertidos”.

O seu ministro da Justiça justificou aquelas operações policiais, afirmando que visavam proteger “as crianças e a instituição da família”.

Na noite de hoje, os tribunais de várias cidades colocaram em prisão preventiva 81 das pessoas detidas no domingo, segundo a Kaos GL, uma importante organização de defesa dos direitos LGBTQ, que também foi alvo das operações de domingo.

Outras 33 pessoas compareceram hoje perante um tribunal de Istambul. Um juiz ordenou a prisão de 20 delas, enquanto as outras foram libertados sob condições, disse a Kaos GL.

Pelo menos nove dos detidos representavam organizações LGBTQ.

Na noite de terça-feira, um tribunal de Ancara ordenou a detenção de 13 pessoas, incluindo sete membros da Kaos GL, cinco pessoas transgénero e um jornalista.

Vinte e oito outras pessoas foram detidas em Mersin, informou a agência de notícias DHA.

Além disso, as restrições de acesso aos sites e contas de redes sociais de associações, ativistas e grupos LGBTQ, que começaram no sábado, continuaram hoje, informou a associação turca para a liberdade de expressão IFOD na rede social X.

As contas mais recentes bloqueadas são de vários jornalistas de esquerda, um órgão social socialista e duas federações de organizações de mulheres, informou a associação.

Nos últimos dias, as autoridades turcas bloquearam o acesso às contas de advogados, defensores dos direitos humanos, do grupo de defesa legal MLSA, da Amnistia Internacional Turquia, do coletivo “Académicos pela Paz” e do jornal Evrensel, entre outros.

Embora as relações entre pessoas do mesmo sexo sejam legais na Turquia, a hostilidade contra pessoas LGBTQ continua muito disseminada, sendo a homofobia evidente mesmo ao mais alto nível do governo.

A comunidade LGBTQ da Turquia tem vindo a sofrer uma pressão crescente desde que o governo anunciou que 2026 marcará o início da sua “Década da Família”.

Esta repressão suscitou críticas dos partidos da oposição e da União Europeia.

Nacho Sanchez Amor, relator do Parlamento Europeu sobre a Turquia, qualificou estas detenções como “uma escalada chocante da repressão”.

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