Vance terá destaque na convenção, mas última palavra será de Trump

Vance terá destaque na convenção, mas última palavra será de Trump

Os republicanos deram hoje início ao último dia da inédita convenção intercalar em Dallas, onde o vice-presidente, JD Vance, estará em destaque com o discurso principal da noite, mas a última palavra ainda pertencerá a Donald Trump.

© Mehmet Eser/Anadolu via Getty Images)


10/09/2026
por

Lusa

Consciente de que a história e as sondagens não estão a seu favor nesta temporada eleitoral, o Comité Nacional Republicano está a apostar fortemente no Presidente e no vice-presidente dos Estados Unidos para impulsionar os eleitores a sair de casa e votarem no próximo dia 03 de novembro, de forma a protegerem as suas maiorias na Câmara dos Representantes e no Senado.

 

A preparar terreno para uma era pós-Trump, JD Vance assumirá o protagonismo desta segunda e última noite da convenção com um discurso em horário nobre.

Vance não confirmou se concorrerá à Casa Branca e Trump ainda não nomeou um sucessor.

No entanto, e após um discurso de quase duas horas na primeira noite do evento, ainda pertencerá ao veterano Donald Trump a última palavra, na qual se espera que dê um impulso final à sua base eleitoral.

Com o objetivo de angariar eleitores, Donald Trump causou polémica na quarta-feira ao lançar a promessa de enviar 5.000 dólares (cerca de 4.300 euros) a cada cidadão, caso os republicanos mantenham a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, sem dar mais detalhes sobre a medida.

Foi rapidamente acusado pela oposição democrata de “suborno eleitoral desesperado”.

A organização do evento indicou hoje que 20.000 pessoas compareceram no primeiro dia da convenção – número próximo à capacidade máxima da arena do ‘American Airlines Center’.

Contudo, tal como na quarta-feira, várias secções superiores da arena estavam praticamente vazias no arranque do raro evento político.

Já os milhares de eleitores presentes não escondem o entusiasmo, especialmente quando Donald Trump é enaltecido em palco e os democratas criticados.

Num discurso que, pela primeira vez na convenção, esteve focado no Islão, o senador republicano Ted Cruz afirmou: «A lei da sharia não tem lugar na América», sendo amplamente aplaudido pelo público após referir-se à interpretação rigorosa da lei islâmica que aplica restrições severas às mulheres e raparigas.

Cruz mencionou ainda Zohran Mamdani, o primeiro autarca muçulmano de Nova Iorque, e alertou que «estamos a testemunhar uma nova e perigosa aliança vermelha-verde: comunistas e islamitas a unirem-se e a dominar o Partido Democrata”.

No evento de hoje, haverá lugar para várias homenagens, como ao ativista e aliado de Donald Trump Charlie Kirk, assassinado há precisamente um ano no Utah, e às vítimas dos atentados do 11 de setembro de 2001.

Fora da arena, vários manifestantes percorreram as ruas de Dallas perto do local da convenção, em protesto contra o Governo de Donald Trump.

De acordo com o jornal New York Times, a polícia de Dallas deteve pelo menos duas pessoas no local.

Um porta-voz do Departamento de Polícia de Dallas disse mais tarde que dois manifestantes foram detidos após agredirem um contra manifestante e bloquearem uma rua.

Tradicionalmente, as Convenções Nacionais dos dois grandes partidos norte-americanos (Republicano e Democrata) realizam-se apenas a cada quatro anos, especificamente nos meses de verão que antecedem as eleições presidenciais, o que torna este evento republicano inédito.

Normalmente, as convenções servem para os delegados partidários votarem formalmente no candidato à Casa Branca e aprovarem a plataforma oficial do partido.

Contudo, a convenção de Dallas não terá qualquer votação nem nomeação, servindo como uma montra para os candidatos republicanos que disputam eleições acirradas para o Congresso.

As eleições intercalares agendadas para 03 de novembro irão renovar a totalidade da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso norte-americano) e um terço do Senado.

Se os democratas recuperarem o controlo de uma das câmaras legislativas, terão o poder de bloquear a agenda de Trump e iniciar investigações à sua administração durante os dois anos que faltam do seu mandato.

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