“Vergonha” e “Abel como Cristo”. Estoura a polémica no Palmeiras-Vasco

Abel Ferreira conduziu o Palmeiras a uma vitória, por 1-0, que o deixa a um passo da final da Taça do Brasil. No entanto, o Vasco da Gama, de Pedro Emanuel, não calou a indignação, por conta de uma suposta grande penalidade não assinalada.

© Getty Images


02/11/2026
por

Carlos Pereira Fernandes

O Palmeiras deu, este domingo, um passo no sentido de garantir o apuramento para a final da Taça do Brasil, ao levar a melhor sobre o Vasco da Gama, por 1-0, no encontro da primeira mão das ‘meias’, disputado no Nubank Parque, em São Paulo, que ficou marcado por uma exibição polémica por parte da equipa de arbitragem liderada por Anderson Daronco.

 

Maurício marcou, aos 24 minutos, o golo que fez a diferença, em São Paulo, após assistência de Marlon Freitas. No entanto, o ‘caldo’ acabaria por entornar, já no segundo tempo, com a expulsão de Alan Saldivia, por acumulação de cartões amarelos, e com um lance duvidoso, no qual os visitantes ficaram a reclamar uma grande penalidade.

Após uma bola longa, Alan Lescano tentou controlar a bola, na grande área do Verdão, tendo Alexander Barboza saltado à sua frente e desviado a mesma com a mão, ainda que estivesse virado de costas. Seguiram-se momentos de intensa discussão, mas, após consultar o VAR, a verdade é que o juiz de 45 anos de idade acabou por optar por nada assinalar.

Após o apito final, o presidente do Gigante da Colina, Pedrinho, foi ‘apanhado’ pelas câmaras da transmissão televisiva a discutir, durante largos minutos, com Anderson Daronco, que apresentou, também ele, a sua interpretação do lance. Apesar da tensão, os dois despediram-se com um aperto de mão… mas o caso não ficou por aqui.

“Prestação vergonhosa do senhor Daronco”

Admar Lopes, diretor desportivo do Vasco da Gama, fez questão de se dirigir à sala de imprensa, onde deu voz à indignação para com a atuação do árbitro: “Venho aqui para comentar a prestação vergonhosa do senhor Daronco. Desde o início do jogo, mostrou ao que vinha. Houve um lance do [Facundo] Colidio perigosíssimo, uma oportunidade de golo, e ele não dá o cartão amarelo”.

“O primeiro amarelo do Saldivia é num lance sem qualquer perigo. Uma dualidade de critérios gritante. Ele mostrou, na condução do jogo, ao que vinha. Numa decisão de meia final da Taça do Brasil, temos de apelar à CBF [Confederação Brasileira de Futebol] para ter muito cuidado com as nomeações”, atirou, em declarações reproduzidas pelo portal canarinho Globoesporte.

“Os senhores do VAR de Santa Catarina vieram para passar o fim de semana em São Paulo. Não fizeram o trabalho deles. Houve dois lances capitais que dariam o segundo amarelo e o lance do penálti do Barboza. Admito que o senhor Daronco não tinha a melhor visão, mas o VAR não teve qualquer intervenção. Temos de refletir o que o VAR está a fazer no futebol brasileiro”, acrescentou.

O treinador português Pedro Emanuel, por seu lado, foi bem mais ponderado: “Sabe o que chamo a isso? Inexperiência. Não estamos habituados a lidar com este tipo de momentos. É a juventude. São jogadores de 23 ou 24 anos que passaram poucas vezes por isto. Os jogadores estão a viver situações de pressão e tensão”.

“Alguém falou ou estão à espera de usar Abel como Cristo?”

Do outro lado da ‘barricada’, o também luso Abel Ferreira recusou admitir que dissessem que o Palmeiras foi beneficiado pela arbitragem: “Não tenho o que dizer sobre isso. Entendo a pergunta. Poderia perguntar-me sobre o Lucas [Evangelista], que levou com um braço na cara. Vou deixar para vocês a criação de conteúdos, que vocês precisam de cliques. São bons lances para vocês fazerem conteúdos”.

“Nunca nenhum treinador na história do futebol brasileiro levou jogos como eu levei por reclamar. A confusão a que cheguei, infelizmente, depois de seis ou sete anos, com a experiência que tenho… Deveria ter aprendido mais rápido, é bater em ponta de faca. Quando o futebol deixar de ser político, acredito que as coisas podem melhorar. Só me prejudiquei em defender o Palmeiras”, refletiu.

“Não tenho nada contra eles [os árbitros], porque nem sequer os conheço. O meu espírito competitivo e, às vezes, a injustiça que estou a ver fazem com que tenha comportamentos que não condizem com o meu lugar. Houve um caso em que levei um jogo de [castigo], e pediram para rever o processo. Quer dizer que não estudaram? E foi de um para três. nunca tinha levado seis ou sete, nunca no futebol brasileiro. Alguém falou ou estão à espera de usar Abel como Cristo?”, concluiu.

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