O treinador Sérgio Conceição, que se encontra sem clube, falou sobre o futuro projeto e temas pessoais em entrevista ao podcast Extra Time, do canal árabe Koora Break.
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29/10/2026
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Sérgio Conceição concedeu uma extensa entrevista esta quarta-feira, onde falou sobre o futuro enquanto treinador, abordando ainda outros temas da vida pessoal e até da seleção nacional portuguesa.
“Procuro um projeto onde eu tenha a possibilidade de transmitir a minha paixão, determinação e forma de ver uma equipa. Não falo apenas dos jogadores, mas também da estrutura, o presidente, a ambição do clube com a ambição da região, da cidade, dos sócios, dos simpatizantes, dos adeptos”, começou por dizer Sérgio Conceição em declarações ao podcast Extra Time, do canal árabe Koora Break.
“Tem de haver um conjunto de situações que para mim façam sentido, porque senão fica difícil, e eu gosto de abraçar um projeto para ganhar, não para ser mais um. Nos últimos oito anos, ganhei sempre títulos, com exceção destes meses no Ittihad, e é assim que eu quero continuar”, continuou, antes de justificar o facto de estar a viver na Arábia Saudita até hoje.
“Se ainda estou a viver na Arábia Saudita é porque fui extremamente bem acolhido aqui. É um povo que vive muito o futebol e há poucos dias tive a oportunidade de vibrar com a seleção do país e com a conquista da Taça do Golfo. Vivo o futebol da mesma forma que eles, com a mesma paixão”, rematou.
Seleção nacional e as ‘gerações de ouro’
Quando o tópico mudou para a seleção nacional de Portugal, a análise das diferentes gerações foi um dos tópicos que acabou por ser abordado, dado que é comum dizer que Sérgio Conceição esteve numa das gerações de ouro da equipa das quinas, algo que o próprio não concorda.
“A mim dizem-me que eu fiz parte da geração de ouro mas eu acho que a geração de ouro é aquela que ganha. Estão alguns jogadores ainda no ativo que foram campeões da Europa e ganharam duas Ligas das Nações, e essa é que é a verdadeira geração de ouro, na minha opinião”, introduziu.
“Eu acho que esta é uma geração de jogadores de altíssimo nível, jogam nos melhores clubes do mundo, mas nós não vamos ser lembrados certamente porque a Espanha sentiu dificuldades no jogo contra Portugal. Mas a Espanha vai ser lembrada porque ganhou o campeonato do mundo. Se queremos crescer e competir com os melhores, e se queremos assumir essa responsabilidade, não podemos dizer sempre que somos candidatos”, atirou.
Sérgio Conceição não desmentiu que esta nova geração tem tudo para ser considerada uma favorita em qualquer competição.
“Com esta geração, somos favoritos. Os nossos jogadores são de elevado nível e não é só a qualidade técnica, também têm inteligência de jogo e atributos físicos muito interessantes. Acho que não temos de ter desculpas, temos de entrar nos quartos de final da Liga das Nações para ganhar, e depois no Europeu para ganhar também, e deixar de baixar expetativas onde não temos de o fazer. Temos de ter ambição e acompanhá-la no campo com trabalho e dedicação, mas não podemos dizer que falta qualidade”, confessou.
“Até porque olhamos para as gerações mais jovens, como os sub-21, e vemos o trabalho fantástico que eles fazem. Estão em finais de campeonatos da Europa ou estão numa fase final de um campeonato do Mundo, e eu vejo com bastante otimismo todos esses jovens que estão a aparecer nos diferentes escalões de formação, e que na minha opinião vão dar continuidade a estes últimos êxitos. Isto sim é Portugal, não o Portugal que tinha dificuldade em qualificar-se para uma fase final de um mundial ou de um europeu, mas um Portugal que tem de se assumir como favorito a ganhar”, indicou.
“Foi um momento extremamente difícil para mim…”
Noutra secção do podcast, houve tempo para que Sérgio Conceição abrisse o coração sobre alguns momentos mais marcantes, pela negativa, da sua carreira enquanto jogador e treinador, não esquecendo um fator quando treinou um dos seus filhos no FC Porto.
“Quando treinei o Rodrigo tive uma vez um episódio em que tive que lhe dizer, no dia anterior, que ele não seria convocado para estágio. Foi, se calhar, o pior momento da minha vida profissional, nesta gestão pai/treinador”, apontou.
“Levei um bocadinho daquilo que era esse meu dia-a-dia no futebol para dentro de casa. Lembro-me perfeitamente que ele estava a arranjar a mala, pensando que ia seguir para estágio, e eu não o levei e comuniquei-lhe. Foi um momento marcante para mim, porque era meu filho, porque tenho um amor absolutamente incondicional por ele, e depois tive de deixar o treinador falar mais alto. Foi um momento extremamente difícil, marcante para mim”, admitiu Sérgio Conceição.
No entanto, o momento mais emocionante acabou por ser quando foi recordada a morte do pai, quando tinha apenas 16 anos de idade e tinha acabado de assinar pelo FC Porto.
“O meu pai faleceu um dia depois de eu assinar contrato com o FC Porto. Foi um momento forte, muito difícil na minha vida, tinha na altura 16 anos. Lembro-me que dessa situação começou a nascer um miúdo um bocadinho diferente, na forma como via os obstáculos, a dificuldade, da forma como olhava para os desafios que iam surgindo ao longo da vida. E agudizou-se, sem dúvida nenhuma, dois anos depois, com o falecimento da minha mãe, aos meus 18 anos, no meu primeiro ano de sénior, estava eu no Penafiel”, revelou o técnico português.
“Nesse período houve momentos muito difíceis de ultrapassar, mas foi também com a ajuda do futebol e das pessoas que fui encontrando no futebol que consegui sair desses momentos mais escuros, olhar para aquilo que eu achava que era absolutamente essencial, que era estar focado a 1000% naquilo que eu queria e sonhava enquanto jogador, e foi assim que fui construindo uma carapaça, que para alguns transmite, se calhar, uma pessoa muito efusiva, algo arrogante, difícil de lidar, exatamente porque se calhar a vida proporcionou-me algumas situações em que, numa guerra, entre aspas, temos de ser determinados, ambiciosos, trabalhadores e ultrapassar essas dificuldades”, completou.

