Não são apenas ciúmes! Saiba o que leva normalmente os irmãos mais velhos a desabafar em sessões de terapia. Psicólogos deixam alerta para a pressão que é colocada neste membro da família.
© Shutterstock
20/09/2026
por
Ser o irmão mais velho é, muitas vezes, sinónimo de assumir responsabilidades antes do tempo delas. Desde cedo, formula-se ainda, erradamente, a expectativa de que este tem de ser o elemento mais responsável, o exemplo a seguir e o suporte dos mais novos. Mas e quem é o suporte dele?
Estas e outras imposições podem ser encaradas como uma vantagem, contudo, também há o outro lado da moeda e, segundo revelam alguns psicólogos ao Huff Post todos esses requisitos podem acabar por transformar-se em momentos de pressão.
Aparna Sagaram, terapeuta de casais e de famílias e proprietária do Space to Reflect, na Filadélfia explica que não é coinciência que os irmãos mais novos sejam, por este e outros motivos, geralmente “muito mais relaxados e despreocupados”.
Eis o que os irmãos mais velhos tendem a mencionar mais nas sessões terapia
Lutas com o perfecionismo
Altheresa Clark, assistente social clínica e fundadora da Inspire4Purpose na Flórida descreve que os pais de primeira viagem acabam por fazer do primeiro filho uma espécie de cobaia: “Os filhos mais velhos precisam de lidar, geralmente, com estilos parentais extremos, como uma criação rígida com muitas regras e expectativas. Então, como isso recai sobre o filho mais velho, faz com que esse precise de crescer à pressa e gera muitas expectativas.”
Desenvolvimento de Síndrome do Impostor
Quando é tão autocrítico, pode acabar por procurar sempre mais detalhes que não aprecia, o que pode dificultar a sensação de se sentir suficientemente bom e capaz.
Experiências de ‘parentificação’
Nestas situações os psicólogos definem que o filho mais velho, mesmo que ainda seja uma criança, passa a assumir papeis de um adulto. Segundo Sagaram, muitos filhos mais velhos passam a lidar com a “parentificação” desde cedo. Isso significa que recebem responsabilidades de adulto, tanto para ajudar com trabalhos domésticos, quanto emocionais.
“Cuidar dos irmãos mais novos, preparar as refeições deles, colocá-los na cama, cuidar deles” são alguns dos exemplos de parentificação descritos por Sagaram.
Dificuldade em pedir ajuda
“Irmãos mais velhos sentem que não podem contar com os outros para qualquer tipo de suporte físico ou emocional e acabam por sentir que precisam de resolver tudo sozinhos”, explica Sagaram.
A longo prazo, estes especialistas explicam que isso afeta tanto o trabalho, quato as relações e todas as áreas da vida do filho mais velho. “Quando trabalho com os filhos mais velhos, é algo que tentamos desaprender. Pedir ajuda é aceitável; isso não significa que seja fraco de forma alguma”, conclui Sagaram.

