Renamo quer reconhecimento de Dhlakama na pacificação de Moçambique

Renamo quer reconhecimento de Dhlakama na pacificação de Moçambique

A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) defendeu hoje o reconhecimento formal do papel desempenhado pelo histórico líder do partido, Afonso Dhlakama, para o fim da guerra civil e à introdução da democracia multipartidária no país.

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04/10/2026
por

Lusa

“Reafirmamos hoje que é um imperativo nacional reconhecer, de forma oficial e digna, a figura do presidente Afonso Dhlakama, pelo seu papel incontornável na democratização e pacificação de Moçambique”, disse o atual líder da Renamo, Ossufo Momade, numa conferência de imprensa, em Maputo.

 

Falando por ocasião dos 34 anos da assinatura do Acordo Geral de Paz entre o então Presidente Joaquim Chissano, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder desde a independência do país em 1975, e Afonso Dhlakama, líder histórico da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), que morreu em 2018, que colocou fim aos 16 anos de guerra civil em Moçambique, Momade afirmou que o acordo celebrado em Roma, capital italiana, a 04 de outubro de 1992, constituiu um marco fundamental da história política nacional e não pode ser dissociado do papel desempenhado por Dhlakama.

“Sem este reconhecimento histórico, sem abraçarmos todos os que deram a sua vida pela democracia, a nossa reconciliação continuará incompleta”, declarou.

O líder da Renamo recordou ainda que o partido foi um dos signatários do Acordo Geral de Paz, que, entre outros, abriu caminho à introdução do multipartidarismo, das eleições competitivas e das liberdades políticas no país. Para a Renamo, o dia representa mais do que uma efeméride nacional, constituindo igualmente um momento fundador da chamada Segunda República.

“O 04 de outubro representa o rompimento das algemas impostas pelo regime comunista implantado na então nação recém-independente”, declarou.

O partido procurou também enquadrar o aniversário do acordo no atual contexto político do país, sustentando que a paz não pode ser reduzida à ausência de conflito armado.

“A paz verdadeira exige justiça, dignidade, inclusão, respeito pelos direitos fundamentais, oportunidades para a juventude, igualdade de oportunidades para as mulheres, desenvolvimento das comunidades e confiança entre os cidadãos e as instituições”, disse Ossufo Momade.

O partido considerou que vários dos objetivos associados ao processo de democratização continuam por concretizar, apontando problemas como pobreza, corrupção, fragilidade económica e exclusão política.

O líder do partido criticou igualmente a condução dos processos eleitorais no país desde a introdução do multipartidarismo, alegando a existência de práticas que, na sua perspetiva, comprometem a credibilidade democrática.

“Moçambique continua a ser um dos países mais pobres do mundo, mesmo com a imensidão de recursos naturais cobiçados pelo mundo fora”, concluiu.

Também hoje, em mensagens separadas por ocasião do Dia da Paz, o presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Lutero Simango, defendeu que a consolidação da paz continua dependente do combate à injustiça, pobreza e discriminação, afirmando que “não haverá paz duradoura enquanto um moçambicano se sentir cidadão de segunda categoria por pensar diferente, por ser de uma região diferente, ou por não ter cartão de um partido político”.

Por sua vez, o presidente do Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), Albino Forquilha, defendeu que a paz em Moçambique não deve ser reduzida à ausência de conflito armado, apontando problemas estruturais como fatores de instabilidade.

“A verdadeira paz não é a mera ausência de tiros. O silêncio dos fuzis não significa que o país está em harmonia”, afirmou, defendendo reformas políticas e institucionais para combater o que classificou como exclusão, captura partidária do Estado e falta de integridade eleitoral.

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