A agência espacial japonesa anunciou hoje que a sonda MMX, que pretende ser a primeira a recolher amostras de uma das luas de Marte, está a caminho da região marciana.
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20/10/2026
por
Lusa
Miguel Patinha Dias | 08:42 – 17/09/2026
A sonda Martian Moons eXploration (MMX), fruto de uma colaboração da agência espacial japonesa (Jaxa) com o Centro Nacional de Estudos Espaciais (Cnes), a NASA, a Agência Espacial Europeia (ESA) e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR), poderá também contribuir para lançar as bases de uma futura exploração humana.
O foguetão H3 que transporta a MMX, bem como duas contribuições francesas – um rover e um espetrómetro – descolou do centro espacial de Tanegashima (sul do Japão) terça-feira às 04:41 (19:41 GMT segunda-feira), segundo uma transmissão em direto da agência espacial japonesa.
Apesar de bem cedo, milhares de japoneses acompanharam o evento em direto e publicaram mensagens de encorajamento online.
Após uma viagem durante cerca de um ano, a sonda permanecerá três anos nas proximidades do planeta vermelho, em órbita em torno de Fobos, uma das duas luas de Marte, a cerca de 6.000 quilómetros deste planeta.
Depois, pousará neste satélite para recolher pelo menos 10 gramas de matéria. O rover chamado Idefix, numa referência ao cão da banda desenhada Astérix, fará primeiro observações da superfície e servirá de explorador para a sonda, garantindo-lhe uma aterragem segura.
O Mirs é um espetrómetro desenvolvido pelo Cnes e pelo Observatório de Paris-PSL “que vai ajudar os cientistas a escolher os locais mais interessantes para a recolha de amostras”, resume a astrónoma Antonella Barucci, responsável científica do Mirs.
“A recolha de amostras em Fobos será a primeira a nível mundial”, declarou à AFP o chefe do projeto MMX, Yasuhiro Kawakatsu.
A Jaxa indicou que a missão também estudaria a possibilidade de usar Fobos como uma “estação espacial natural”, definindo os requisitos para uma viagem de ida e volta a Marte, um elemento “essencial para a exploração humana” deste planeta, acrescentou.
A missão deve também observar a outra lua, Fobos, sem aí pousar, antes de regressar à Terra.
A Jaxa espera que a missão revele como Marte e as suas duas luas se formaram, informação crucial para compreender o nascimento do Sistema Solar.
Uma das teorias, a do “impacto gigante”, sugere que se formaram após a colisão de um corpo celeste com Marte.
A hipótese chamada de “captura” considera, por outro lado, que poderão ter sido asteroides capturados pela gravidade marciana.
“A MMX esclarecerá os mecanismos de transporte que levaram água, elementos voláteis e compostos orgânicos das regiões externas do Sistema Solar para os planetas rochosos interiores (Mercúrio, Vénus, Terra e Marte), processos que talvez tenham “um papel chave na habitabilidade desses mundos”, explicou à agência de notícias francesa AFP em agosto o astrofísico francês Patrick Michel, diretor de pesquisas do CNRS. “Se Fobos e Deimos são de facto vestígios desses primeiros sistemas de transporte, eles podem conter pistas sobre as próprias origens da vida ou, mais precisamente, sobre o transporte de materiais, determinante para o surgimento da vida em planetas rochosos”, acrescentou durante a preparação desta missão.
A China também anunciou que a sua nave espacial Tianwen-3 deveria ser lançada por volta de 2028 com o objetivo de trazer amostras de Marte de volta por volta de 2031, potencialmente antes do regresso da MMX.

